Airbnb maior que hoteleiras

Mesmo com a pandemia impactando seriamente seus negócios, o número de imóveis disponíveis para aluguel da Airbnb mais do que dobrou nos últimos quatro anos, superando, inclusive, algumas das maiores redes de hotéis do mundo…combinadas.

Segundo dados da Airdna, consultoria que analisa dados do mercado de aluguéis de curto prazo, as listagens de imóveis ativos globais da Airbnb aumentaram 2,5% em fevereiro de 2021 em comparação ao ano passado. Globalmente, havia mais de 5,4 milhões de anúncios ativos no Airbnb. Isso significa que a empresa tem 63% a mais de unidades disponíveis para aluguel do que as redes de hotéis Marriott, Hilton e IHG. Juntas, as três cadeias têm 3,3 milhões de unidades.

Problema para uns; oportunidade para outros

Segundo a Airdna, essas taxas de crescimento foram interrompidas abruptamente em março de 2020 com o início da pandemia global de Covid-19, quando a demanda por todas as formas de hospedagem contratadas diminuiu sensivelmente e os hóspedes cancelaram seus planos de viagem. De janeiro a junho de 2020, o Airbnb perdeu 5% de seus anúncios totais -e a receita da startup teve queda de 72% no segundo trimestre do ano passado -auge da pandemia no Hemisfério Norte.

Com uma queda tão abrupta, a companhia se viu obrigada a demitir 25% do seu quadro de funcionários mundo afora, totalizando cerca de 1.900 pessoas. Antes das demissões, a companhia possuía 7.500 funcionários. Além disso, a startup interrompeu projetos relacionados a hotéis, uma divisão de transportes e estadias de luxo.

Mas, também a partir de junho de 2020, o número de imóveis disponíveis cresceu 2,5% em relação aos níveis pré-pandêmicos. De acordo com a Airdna, uma das causas é o apelo relativo para aluguéis de curto prazo -com maior espaço vital, mais quartos e imóveis em destinos mais remotos, onde é possível praticar o distanciamento social, mas com mais conforto, claro. Isso provou ser um ativo vital durante a pandemia e permitiu melhor desempenho quando comparado a formas mais tradicionais de hospedagem.

Os mercados que permaneceram atraentes para os hóspedes durante a pandemia, estão localizados, principalmente, nas pequenas cidades, áreas rurais e regiões que sediam resorts. Elas conseguiram atrair novos anúncios de imóveis ao longo do ano. Em fevereiro de 2021, uma mistura de locais montanhosos e costeiros ganhou o maior número de novas listagens disponíveis.

Mercados costeiros, como Myrtle Beach, Tampa, Morehead City / Emerald Isle e as Ilhas Virgens, todos nos EUA, experimentaram ganhos significativos desde o início da pandemia. Da mesma forma, áreas do interior como Ozark, Gatlinburg / Pigeon Forge e Fredericksburg também foram capazes de aumentar seu fornecimento de listagens de imóveis disponíveis.

A oferta crescente nessas áreas beneficiou muitos dos grandes administradores de propriedades, que tendem a gerenciar uma alta porcentagem de unidades nesses locais. Globalmente, as grandes operadoras (aquelas com mais de 21 unidades) aumentaram suas contagens de imóveis disponíveis em mais de 14% no ano passado. Já as listagens disponíveis diminuíram 9% ao longo do ano para anfitriões com apenas uma unidade.

Com isso, é muito mais provável que esses anfitriões com um único imóvel estejam localizados em grandes mercados urbanos, o que explica a maior parte do declínio na disponibilidade devido à falta de demanda.

Em baixa no Canadá, em alta na França

Outro dado interessante indicado pelo Airdna aponta que as listagens de imóveis ativos para aluguel diminuíram mais no Canadá, onde 40% das unidades estavam concentradas em apenas três cidades (Toronto, Montreal e Vancouver) no início de 2020. Coletivamente, esses mercados perderam 22% de sua oferta ativa no ano passado em comparação com um declínio de apenas 3,5% em todo o resto do país.

Já a França foi o local onde o número de unidades ativas mais cresceu. Quase todas as áreas do país viram um crescimento em unidades ativas, especialmente ao redor do Vale do Loire e ao norte da Bretanha, onde pequenas cidades e resorts de praia -tecnicamente mais isolados e que permitem praticar melhor o distanciamento social -continuaram a atrair visitantes.

As diferenças mais marcantes podem ser vistas ao nível do mercado, onde a ausência de demanda fez com que muitos operadores de aluguel de curto prazo parassem temporariamente de alugar unidades ou as removesse inteiramente do Airbnb. Dos 25 maiores mercados globais de curto prazo, Amsterdã perdeu a maior parte das listagens disponíveis: 45% a menos de imóveis em fevereiro de 2021.

A partir desses resultados, podemos dividir os mercados em dois grupos: o primeiro indica que as quedas de oferta são temporárias, como, por exemplo, em Amsterdã, Copenhague e Oahu, todos com quedas acentuadas nas listagens disponíveis, mas mudanças relativamente baixas no número de listagens ativas.

Por outro lado, mercados como Nova York, Toronto e Pequim tiveram quedas significativas tanto nas listagens ativas quanto nas disponíveis, sugerindo que essas quedas têm mais chances ​​de serem permanentes.

Especificamente, os bloqueios de abril do ano passado no Reino Unido e as restrições de viagens subsequentes até junho limitaram seriamente o número de listagens disponíveis. No entanto, as mesmas reapareceram rapidamente assim que as proibições de viagens foram suspensas.

O ritmo de declínio também variou ao longo do ano passado, à medida que os mercados entraram e saíram do bloqueio e a demanda se recuperou temporariamente, mesmo que brevemente durante o verão de 2020. Nos Estados Unidos, Orlando foi um dos únicos 25 principais mercados que realmente ganhou listagens disponíveis durante a pandemia, à medida que as restrições na Flórida diminuíram antes da maioria dos outros Estados dos EUA.

Foto/Destaque: Divulgação

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