16 de janeiro de 2022
É filósofo, professor universitário e escritor, autor, entre outras obras, de “Filhos da Quarentena: A esperança de viver novamente”, Editora Viseu, 2021.
É filósofo, professor universitário e escritor, autor, entre outras obras, de “Filhos da Quarentena: A esperança de viver novamente”, Editora Viseu, 2021.

Luís Lemos

A força da esperança – Parte 2

Não seria possível, numa reflexão de caráter geral como a que propomos aqui, mapear com exatidão a força da esperança sem ouvir os maiores especialistas no assunto. No entanto, passamos por eles apenas de raspão; eles merecem ser aprofundados, pois cada um têm de ser explicado em seu próprio contexto. Mas não é esse o nosso objetivo aqui. O objetivo é ser simples, claro, comunicativo e reflexivo. O que defendemos nessa série é que a força da esperança é sempre uma maneira de encarar com humor e leveza às durezas da vida. Padre Fábio de Melo afirma que “O pessimismo

A força da esperança – Parte 1

Tente imaginar uma pessoa sem esperança. Como ela seria? Certamente ela seria uma pessoa sem rosto, sem coragem, sem alegria, sem alma, portanto, uma pessoa triste e sem vida. Agora, tente imaginar uma pessoa com esperança. Como ela seria? Certamente ela seria uma pessoa forte, com alma, coragem, determinada, portanto, uma pessoa alegre e feliz. Para entender bem a força da esperança na nossa vida, devemos, independentemente da ideologia, sermos pessoas de fé. Quando perdemos a fé, nuvens escuras de desespero pairam sobre nossa cabeça. Ou seja, para quem não acredita em Deus, a esperança não passa de uma mera

Retrospectiva e perspectiva para 2022

As palavras mais pronunciadas pelos brasileiros em 2021 foram: pandemia, fome, desemprego, miséria, corrupção, lockdown, máscara, álcool em gel, negacionismo, Covid-19, morte. Muitas mortes. Mais de 600 mil pessoas mortas por Covid-19 no Brasil. 2021 foi realmente um ano marcado pelos desafios mais imediatos provocados pelo coronavírus. Em virtude da pandemia, o povo brasileiro incorporou hábitos de higiene e isolamento social em sua vida e aprendeu a duras penas a seguir orientações das autoridades epidemiológicas como medidas preventivas para conter o avanço da doença. Enquanto isso, na contramão das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o presidente da República

Dezembro: tempo de gratidão e esperança

Chegamos ao final do ano com os sentimentos de gratidão e esperança. Gratidão, em primeiro lugar, pela saúde, pelo trabalho, pela família, pelos amigos, pelos vizinhos, pelo meio ambiente, pelo ar nos pulmões, pela força e pela esperança. Em segundo lugar, gratidão pela fé, pela paciência, pela sabedoria e pela coragem de lutar por um mundo melhor e mais justo para todos. Gratidão pela vida, por estarmos vivos, por termos sobrevividos 2021. Quantos não ficaram pelo caminho?  Infelizmente, o coronavírus ceifou a vida de dezenas, centenas, milhares de pessoas no Brasil e no Mundo. Seres humanos maravilhosos foram levados para

Dezembro: tempo propício à revisão de nossa vida

Você é daqueles ou daquelas que espera chegar o final do ano para fazer uma revisão de sua vida e se preparar para o ano seguinte? Ou você não costuma fazer uma revisão de sua vida? Vai vivendo assim, vida louca, “sem lenço e sem documento”? Qual é o seu lado? Com qual grupo você se identifica? Talvez os adeptos da “vida louca” se decepcionem com o que eu vou escrever a seguir, mas é preciso: somente o homem tolo acha que não precisa rever sua vida. Portanto, eu sou um daqueles que acham que não é preciso esperar o

O melhor mês do ano

Não sei se você teve a mesma percepção que eu, mas o ano de 2021 parece que durou uma eternidade. No entanto, novembro passou bem rapidinho, já estamos no mês de dezembro. Urfa, ainda bem que chegou dezembro, para mim o melhor mês do ano e logo explico essa tese, conforme os argumentos que seguem. Dezembro é um mês todinho dedicado ao que realmente importa: o ser humano e a espiritualidade. No mês de dezembro o humanismo aflora nas pessoas. É tanta gente praticando caridade, distribuindo sopa, cesta básica, etc., que parece mesmo que o ser humano tem jeito. Certamente,

A importância do diálogo

É impressionante observar como o diálogo faz toda a diferença na vida das pessoas, na política, no trabalho e na sociedade em geral. Não existe vida plena, justiça social, inclusão, amor, amizade sem diálogo. Semana passada conheci dona Ana*, uma mulher preta, sexagenária, que criou e educou sozinha sete filhos e que agora, por forças das circunstâncias, assumiu a missão de educar os netos.  O caso acontecido foi esse. O aluno não queria fazer as atividades escolares. Há dias ele vinha sonolento, disperso e relapso em sala de aula. É verdade que ele não perturbava os colegas, e as aulas

Fraternidade e Educação

Semana passada participei do seminário “Panorama da Educação no Amazonas: Sucesso ou Fracasso?” organizado pela Arquidiocese de Manaus em preparação para a Campanha da Fraternidade (CF) de 2022, cujo tema será: “Fraternidade e Educação” e o lema: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (Pr 31,26). Na ocasião, apresentei um panorama da educação no Amazonas a partir de minha experiência pessoal, destacando quatro aspectos do lema da CF 2022: “Fala com sabedoria, ensina com amor”, que aqui, por questão de espaço, resumirei em dois pontos centrais: “fala com sabedoria” e “ensina com amor”.  O primeiro ponto reverbera sobre a essência humana.

Vozes da Educação de Manaus – Parte 5

Hoje, na última parte da série “Vozes da Educação de Manaus”, trazemos a entrevista com a professora Víllian Costa, feita pelo sistema de troca de mensagens (WhatsApp), como segue: “Sou nordestina e vou iniciar com minha linguagem cultural: sou pavio curto! Zero de tolerância para a ignorância, zero para o egoísmo, racismo, misoginia, machismo, hipocrisia, mentira, covardia, enfim, zero para tudo que danifica a vida humana, ojeriza a tudo que destrói nossa Morada Cósmica: nossa floresta amazônica, nossos rios e igarapés, nossos animais que fogem das queimadas provocadas pela ganância dos obcecados pelo lucro desumano. Onde tudo começou? Tudo começa

Vozes da Educação de Manaus – Parte 4

Dando continuidade à série “Vozes da Educação de Manaus”, hoje transcrevemos aqui uma entrevista, feita pelo sistema de troca de mensagens (WhatsApp), com o professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), José Alcimar de Oliveira, como segue: “Sou filho de pais retirantes cearenses, Ana Nilda de Oliveira e Marcondes Pinheiro de Oliveira, ambos falecidos, que em 1955 saíram de Jaguaruana, CE, fugindo da seca e, sobretudo, das cercas do latifúndio capitalista, vieram tentar a vida no Amazonas. Sou o primeiro de 12 filhos, nascido em 15 de setembro de 1956, na Comunidade de Bela Vista, em Manacapuru, às margens do

Vozes da Educação de Manaus – Parte 3

Hoje, dando continuidade à série “Vozes da Educação de Manaus”, transcrevemos aqui parte de uma entrevista, feita pelo sistema de troca de mensagens (WhatsApp), com o professor Bibiano Garcia, como segue. “Sou um caboclo amazonense, nascido de parto normal no interior de nossa pequena casa de madeira, em Manaus, em 13 de dezembro de 1972. Até os 8 anos vivi na vila da EMBRAPA, na estrada Am 010, km 30. Mais tarde viemos para o bairro Santa Etelvina onde permaneço até os dias de hoje. Meu pai, já falecido, se chamava Bibiano Simões Garcia e minha mãe, de 83 anos,

Vozes da Educação de Manaus – Parte 2

Dando continuidade à série “Vozes da Educação de Manaus”, hoje transcrevemos aqui uma entrevista, feita pelo sistema de troca de mensagens (WhatsApp), com o professor Dr. Amarildo Menezes Gonzaga, como segue. “Sou um professor que ama o que faz. Nasci em Parintins, na década de 60. Venho de uma família de imigrantes nordestinos que, após terem passado por dificuldades nos seringais, desceram o Rio Solimões e fixaram residência na minha cidade natal. Sempre estudei em escola pública, superando muitas dificuldades financeiras e sociais, até chegar a realizar os meus sonhos. Iniciei no magistério nos anos 80, ensinando crianças em um