O trabalho e a fome

Nilson Pimentel (*)

Tendo completado o ciclo vacinal me pus a identificar locus geográficos na periferia da cidade de Manaus para a realização de pesquisa sobre a temática da fome na capital da Zona Franca de Manaus, na pós-pandemia da Covid-19, depois que a cidade ter passado com a crise do oxigênio e irresponsabilidade de gestores públicos, isto é fato ocorrido em Manaus. O que tenho visto tem me estarrecido pela precariedade real que expõe as famílias pobres da periferia. Como todos tem conhecimento, a crise sanitária mundial provocada pela pandemia do coronavírus, além dos óbitos que no Brasil, representam mais 650 mil, a peste vem causando graves problemas na economia em todo o mundo, com aumento da inflação, aumento da taxa cambial, aumento generalizado de preços dos bens de consumo imediato –alimentos e combustíveis –aumento do desemprego, o que leva e jogou grande parcela de pessoas à pobreza, à miséria e à insegurança alimentar e à fome que já atinge milhares pessoas no Brasil. Conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 33 milhões de pessoas não têm acesso regular ao alimento, diagnosticando que esse processo é resultado da desigualdade de renda e desigualdade social. No mundo, até pouco tempo se dizia da Revolução 4.0, grandes avanços tecnológicos, progressos econômicos e sociais, mas a pandemia da Covid-19 acarretou inúmeros fatores restritivos em função da disseminação do coronavírus, como medidas de distanciamento social, fiquem em casa, fechamento de quase todas as atividades comerciais, industriais e de serviços, provocando um dos maiores desemprego do século 21, com isso a perda da renda familiar generalizada, adotados para evitar o colapso do sistema público de saúde, o fechamento das atividades econômicas e de linhas de produção transformaram-se  nessa grave crise econômica atualmente. A cobrança chegou!. Com isso trouxe o desemprego, a pobreza e a fome. Com a pandemia da Covid-19, a fome atingiu gravemente aquela parcela da população mais pobre. Segundo pontuam os especialistas, o Brasil precisa adotar reformas urgentes que permita retomar o crescimento econômico que crie empregos de mais qualidade em todas as cadeias produtivas, que diminua a informalidade e que fomente programas sociais com políticas públicas que sustentem programas de segurança alimentar para aquelas parcelas da população mais vulneráveis, deprimidas pela exclusão provoca pela pandemia. De acordo com Relatório/2020 da FAO – Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura, a pandemia da COVID-19 contribuiu para que aumentasse o quantitativo de pessoas que passam fome em todo mundo, com efeitos que durarão longo prazo em falta de segurança alimentar, comprometendo as metas da ONU – Organização das Nações Unidas de erradicar a fome até 2030. Identificando que existe, entre 720 milhões e 810 milhões de pessoas no mundo que passam fome. Ainda de acordo com o relatório da FAO, 23,5% da população do Brasil sofre com insegurança alimentar e que 22% das crianças com menos de cinco anos são afetadas por retardo de crescimento e por problemas de desenvolvimento cognitivo que afetarão suas vidas futuras. Sem emprego, sem rendimento algum (salário), dependência de auxílio emergencial de governos (federal, estadual e municipal), com alta nos preços dos alimentos, aumento no preço do botijão do gás (R$120,00), aumento de preços de combustíveis, para muitas famílias não tiveram escolhas, ou compravam o botijão de gás ou compravam comida, a grave situação para os mais carentes é terrível. No entender dos pesquisadores do CEA – Clube de Economia da Amazônia, observando empiricamente a questão da pobreza e da fome na cidade de Manaus, parece bem distanciada dos debates sobre políticas públicas de combate aos problemas e à questão da produção (emprego formal) e a concentração de riqueza e do desenvolvimento regional. Urge a hora de se priorizar debates e programas, acesso aos serviços públicos e ao trabalho. A persistência do Povo brasileiro, nossa democracia nos brinda com mais um escrutínio, para cargos políticos majoritários de presidente e governadores nesse outubro de 2022, dentre outros. Os futuros executivos herdarão um mundo e um país em crise econômica social sem precedente, é um imenso desafio que nos separa do futuro promissor que as sociedades almejam. E, por aqui no Amazonas se precisa sair dessa estagnação econômica que se encontra, não se precisa passar mais quatro anos parados, pós pandemia que arrasou o mundo todo. Graças ao Polo Industrial de Manaus (PIM), com seus resultados econômicos positivos, Manaus ainda respira favorável orçamentariamente, mais isso tudo não favorece os mais carentes da capital, onde existe um verdadeiro exército de pessoas que passam por insegurança alimentar diariamente e desemprego. O futuro do Amazonas é um desafio, se precisa buscar alternativas para o desenvolvimento econômico regional, os municípios estão com suas economias estagnadas, como um Amazonas ornado de potenciais riquezas naturais a serem exploradas na racionalidade econômica. E o governo estadual, como agente econômico primordial nesse caso, deve fomentar o tal desenvolvimento regional, com programas e projetos factíveis de execução econômica e não eleitoreiro, haja vista que o Amazonas espera que aconteça há 55 anos do projeto Zona Franca de Manaus (ZFM). 

*(*) Economista, Engenheiro, Administrador, Mestr e em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador Econômico, Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected].

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