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O poder do bem

Uma das características do homem contemporâneo é o egoísmo. Por todos os lados vemos pessoas que só pensam em si, nos próprios interesses, como se o outro fosse apenas um meio para seus fins. Do meu ponto de vista, nós, seres humanos, não precisamos ser assim. Na sociedade atual há espaço e lugar para todos, principalmente para aqueles que praticam o bem.

A propósito da pandemia do Covid-19, é impossível não enxergar a dor, em si e nos outros, espalhada no mundo. Também nesse propósito, muitas pessoas aproveitaram esse tempo para refletir e elaborar novas perspectivas para suas vidas, escolhendo, sobretudo, à solidariedade em vez do egoísmo.

Aos muitos que, com ou sem fé, acreditam que esta vida terrestre é, antes de tudo, uma oportunidade para saboroso desfrutar, lembro aqui o que disse o evangelista São Lucas (9:25): “Porquanto, de que adianta ao ser humano ganhar o mundo inteiro, mas perder-se ou destruir-se a si mesmo”? Ou ainda, como nos alerta o salmista: “Pois, ao morrer, nada levará consigo, nem descerá com ela seu esplendor” (Salmo 49:17).

A vida humana não é, antes de tudo, um período de provação em que se faz de tudo e depois pede-se perdão a Deus e tudo estará resolvido, assim, como num passe de mágica. Não. Tudo na vida tem seu preço, causas e consequências. Não devemos ser irresponsáveis, e levar à vida fazendo aos outros aquilo que não gostaríamos que fizessem com a gente. Nesse sentido, o segredo da vida consiste mesmo em “amar o teu próximo como a si mesmo” como nos ensinou Jesus Cristo.

Não devemos nos fechar para o outro, para o próximo. Infelizmente alguns estão usando máscara apenas para se esconder do outro. Não querem mostrar a sua verdadeira face. Talvez alguns estejam usando o medo de ser contaminado pelo vírus como pretexto para o seu egoísmo. Muitos preferem viver isolados, trancados em suas casas, em seus apartamentos, em suas fazendas, afastados completamente do outro. Muitos, ainda, preferem viver uma vida supérflua a se engajar numa causa verdadeiramente importante.

A propósito, nesse período de quarentena, o que você fez de importante para o seu próximo? Você fez alguma coisa realmente importante para alguém? Participou de algum movimento de ajuda ao próximo? Distribuiu sopa para alguém? Agasalhos? Ou só bateu palmas para os profissionais de saúde por que a TV mandou? Para você, é fundamental a autonomia do pensar e do agir? Ou você é daqueles que, por ver tanto sofrimento no mundo, não se sensibiliza mais com a dor do outro?

Seja como for, todo mundo deve saber, praticar o bem gera uma corrente que acaba envolvendo outras pessoas. O bem é contagioso. Agrega valores, desperta sentimentos, abre portas, sorrisos, alegra o coração dos tristes, dos sofredores, dos pobres.

Assim, o egoísmo só se combate com solidariedade, e o mal com a prática do bem. Pessoas evoluídas praticam o bem, pessoas mesquinhas são egoístas. Por fim, não devemos esquecer jamais o que disse Madre Teresa de Calcutá: “O bem, deve ser feito bem e sem olhar a quem”.

*Luís Lemos é filósofo, professor de Filosofia e palestrante

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