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Evangelho de Fátima

*Carmen Novoa Silva

Este artigo foi suscitado pela passagem do dia treze de maio. Para o mundo cristão-católico reveste-se de caráter sagrado já que relembra o nonagésimo primeiro ano da aparição da Virgem do Rosário na cidade de Fátima em Portugal às crianças-pastoras da então aldeia onde viviam. Para a catolicidade e os que procuram vivenciá-la sem serem meros espectadores e aos que não conceituam estas palavras como  “pieguice ou carolice” é bom rememorar que a virgem denominou-se como “Eu sou a Senhora do Rosário” (incentivando a prática do mesmo para o alcance de graças divinas) e tornou-se mundialmente conhecida como N.S. de Fátima (cidade de aparição) para onde afluem em quantidade cada vez mais numerosa peregrinos de todo o mundo.

Na atualidade constrói-se um grandioso templo dedicado à Santíssima Trindade, perto da Igreja histórica erguida no lugar da aparição. É um templo de linhas arquiteturais, no estilo moderno de 3º milênio. Será reservado aos grandes cultos das multidões. O outro antigo e bem menor será destinado a peregrinação, visitação turística. 

Sobre os Segredos

Decepção.  Foi este o sentimento que se apossou da maioria da humanidade, ao cientificar-se do tão bem guardado (91 anos) 3º segredo de Fátima, revelado pelo Cardeal Angelo Solano, secretário de Estado do Vaticano, em Fátima, Portugal, quando da beatificação dos dois videntes da Virgem, Jacinta e Francisco, no último 13 de maio. 

“Um bispo vestido de branco, que reza junto aos fiéis, cai por terra, aparentemente morto, sob disparos de arma de fogo”.  Esta seria a mensagem plena do simbolismo cristão para significar o cumprimento do 3º segredo:  o atentado sofrido pelo Papa João Paulo II, em 1981, na praça de São Pedro.

O 1º segredo, indicava o término da  I Guerra Mundial para breve (terminou em 1918), e o início da outra pior, se os homens não se convertessem (II Guerra).

O 2º segredo, apontava também, em linguagem própria das profecias, o alvorecer do comunismo materialista ateu na Rússia (dantes cristã) e o seu fenecer, se consagrada ao Imaculado Coração de Maria.  Os profetas das desventuras dos dias hodiernos, esperavam algo catastrófico (uma hecatombe nuclear!) ou, quem sabe, algo prodigioso e sobrenatural, como assistir, em pleno século XXI, a luta de Miguel Arcanjo e Satã (o triunfo do bem e do mal) tal e qual na Divina Comédia de Dante.  Decepção, foi o visto.  Porque, com a pós-modernidade, perdemos a CAPACIDADE DO ASSOMBRO de nossos ancestrais.  Não conseguimos entender o triunfo escatológico de Fátima:  o término da I Guerra;  a derrocada do comunismo;  a sobrevivência do papa no atentado.

Para a ancestralidade e os valores éticos e espirituais de então, o assassinato de um chefe de Estado seria algo de extrema violência.  E o de um papa, seria atingir algo sagrado.  Seria como derrubar a ponte que os unia ao Eterno.

Depois de Hiroshima e Nagasaki.  Depois de tantas guerras fratricidas, étnicas, religiosas, de terrorismo e mais violência, violência e barbárie.  Depois de tudo isso, nada mais nos sensibiliza.  Perdemos nossos ideais.  Invertemos os valores. Trocamos o ser pelo ter.  Tudo é banal, e de uma perigosíssima rotina.  Robotizados, não entendemos o Evangelho de Fátima e sua linguagem bíblica.  Somos peregrinos, em pleno 3º milênio, que perderam o roteiro do caminho de nossa própria alma…

CARMEN NOVOA SILVA, é Teóloga e membro da Academia Amazonense  

                                                                                                                 de Letras e da Academia Marial do Santuário de Aparecida-SP                           

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