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As enchentes transbordam o nosso vazio – parte 1

Enchentes são fenômenos naturais que têm afetado o planeta por milênios. No entanto, as ocorrências atuais se distinguem das do passado remoto devido à maior frequência e intensidade, em grande parte atribuída à intervenção humana. Esta série de artigos sobre eventos climáticos de extinção em massa destaca os grandes dilúvios e os ensinamentos dos mitos criados por civilizações antigas para explicar tais eventos.

A Terra tem cerca de 4,52 bilhões de anos e nos últimos 500 milhões de anos, ela já passou por cinco grandes eventos de extinção em massa, a saber: 1) extinção ordoviciana-Siluriana ocorrida há 443 milhões de anos; 2) extinção denoviana há 365 milhões de anos; 3) extinção permiana há 252 milhões de anos; 4) extinção triássica-jurássica há 200 milhões de anos; 5) extinção cretácia-paleogênica há 66 milhões de anos. E atualmente, estamos correndo o risco de passar pela sexta extinção, mas causada pelo homem.

Para melhor entender o assunto, recomenda-se assistir ao documentário “A vida no nosso planeta”, disponível na Netflix <https://www.netflix.com/br/title/80213846>, que apresenta de forma envolvente e inovadora a jornada dos seres vivos para vencer, adaptar-se e sobreviver na Terra. Assistindo ao documentário, adquire-se conhecimento de que todos esses eventos foram marcados por mudanças climáticas extremas, influenciadas por diversos fatores naturais, como grandes erupções vulcânicas, terremotos, tsunamis, chuvas ácidas e enchentes, valendo destacar a ocorrência de chuvas intensas por um milhão de anos, há cerca de 233 milhões de anos atrás, conforme corroborado por um estudo publicado na Science Advances em 2020 <https://tinyurl.com/yun2kb23>.

Não é à toa que, ao longo do tempo, diante de intensas chuvas e inundações, foram criadas lendas relatando grandes dilúvios, valendo destacar as seguintes narrativas:

Lenda 1) A mitologia suméria, com o épico de Gilgamesh (2600 a.C.), um poema que relata as proezas do rei de Uruk chamado Gilgamesh. Nessa narrativa, o arrogante rei passa por uma transformação significativa em suas atitudes ao embarcar em uma jornada em busca de um homem que sobreviveu a um dilúvio e alcançou a imortalidade, o Utnapishtim <https://tinyurl.com/y78zspzw>. Nesse poema aprende-se sobre humildade, respeito, compaixão, busca pela sabedoria, aceitação da mortalidade e valorização dos momentos preciosos da vida humana;

Lenda 2) a mitologia acádia/babilônica com o épico de Atrahasis (1800aC) que narra a chegada de um grande dilúvio enviado para destruir a vida humana. Neste enredo, Atrahasis é um bom homem escolhido pelo Deus Enki, o qual o instruiu para construir uma arca e colocar nela dois animais de cada tipo <https://tinyurl.com/mr3uyktr>. Aqui, aprende-se sobre o respeito à criação da divindade, a natureza cíclica do mundo, a necessidade do equilíbrio ecológico e a perseverança humana;

Lenda 3) O Gênesis de Eridu (1600aC) < https://www.jstor.org/stable/3266116> que narra entre outras coisas a criação do homem, das primeiras cidades e um grande dilúvio. Aqui se aprende a visão deles sobre a origem humana, as consequências da corrupção e da desobediência, a importância da preservação etc.;

Lenda 4) a mitologia judaico-cristã narrada no Antigo Testamento <https://tinyurl.com/4t9stwa2> sobre o dilúvio e a arca de Noé (a data mais antiga seja 1450 a.C., enquanto a mais recente seja entre 800-600 a.C.).

Lenda 5) a mitologia grega envolvendo o Deucalião e Pirra, narrada no Livro I das Metamorfoses de Ovídio (8dC), nos versos 236 a 437, no qual descreve como Zeus, irritado com a impiedade e maldade dos humanos, decidiu enviar um grande dilúvio para destruir a raça humana, sendo que apenas Deucalião e sua esposa Pirra foram poupados, sobrevivendo em uma pequena arca que flutuou por nove dias e noites.

Outras lendas envolvem desde a civilização Hindu com o Deus Vishu, o sábio Manu e o peixe Matsa, até os Incas com o Deus Viracocha que ao enviar um grande dilúvio Uno Pachacuti poupou apenas três indivíduos.

Por fim, as enchentes sempre existiram, mas sua crescente frequência, periculosidade e letalidade transbordam um grande vazio causado pela ambição humana. As lendas ancestrais transmitidas ao longo dos milênios não apenas retratam as catástrofes naturais, mas também oferecem preciosas lições sobre humildade, respeito pela vida, justiça divina e a importância de preservar o equilíbrio ecológico. Ao internalizar esses ensinamentos, podemos cultivar uma consciência ecológica mais profunda, agindo com plenitude para prevenir e mitigar os impactos das mudanças climáticas ao longo do tempo.

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