Bolo Podre – uma iguaria apolítica

Por Juarez Baldoino da Costa (*)

Leite, ovos, coco, farinha de tapioca e mais alguns ingredientes, compõem uma das mais tradicionais guloseimas juninas principalmente do Norte brasileiro.

O nome Podre tem origem controversa, e uma delas é que ao se poder guardá-lo sem refrigeração por algum tempo, estaria ainda saudável para degustar em prazo que normalmente já estaria podre. Quase sempre não dá para esperar…

É apolítico porque não se interessa pela política ou porque tem aversão à ela.

Já na política, existem também os bolos que em muitos casos se pode classificar de “podres”, materializados nas chamadas “alianças”. 

Podem juntar leite mineiro, coco nordestino, tapioca nortista e ovos paulistas.

Depois de prontos e aprovados em convenções, são oferecidos aos eleitores 

como única opção, embora cada receita de cada convenção seja preparada com quantidades personalizadas (e até repetitivas) dos ingredientes.

A história brasileira nos dá conta de que o resultado dos bolos políticos, quando podres, e o são na maioria das receitas, não tem feito bem ao povo menos favorecido, que continua com problemas crônicos diversos e profundos apontados pelo IBGE frequentemente.

O arcabouço que regula as receitas dos bolos, quando podres, não emite sinais de que poderá ser melhorado, e a espera de que o eleitor melhore e assim possa melhorar os chefs é narrativa desconexa da realidade, porque a realidade é que os iletrados e os analfabetos funcionais continuam aumentando no país, e seus filhos em parte consolidam uma espiral crescente de uma sociedade fragilizada e despreparada para reverter o quadro.

Quando as convenções partidárias terminarem em 05 de agosto de 2022, cada um poderá escolher o bolo a ser engolido até as próximas eleições, mesmo que a maioria seja podre.

Um estadista altruísta que lidere estadistas altruístas que o apoiem, e que seja eleito, seria o caminho para alterar o quadro em no mínimo 3 mandatos de 4 anos, embora haja um limitador natural do arcabouço que permite até 2 mandatos apenas.

O Brasil espera por altruístas dispostos, e que se lancem à pátria.

O que ameniza a situação são os Bolos Podres de junho, estes, pelo menos, anuais e saborosos, e que até ajudam a aplacar a fome.

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(*) Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

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