Um dia inteiro cheio de energia

Jornal do Commercio: Como anda sua produção atual, em relação as suas composições de raps de protesto?

Gabriel: Meu disco novo tem a música “Nunca serão”, feita um pouco antes dos grandes protestos de rua que tomaram conta do Brasil no ano passado, uma música que chama as pessoas contra a apatia, contra o conformismo e o refrão dela diz que “nada vai mudar, os corruptos cassados nunca serão, os impostos bem usados nunca serão, se a gente não fizer nada, se não se mobilizar, não se informar, não se indignar”. Essa música entra no time do “Até quando?”, do “Pega ladrão”, do “Tô feliz, matei o presidente”. Tem também a “Abalando”, mas eu diria que tenho outros tipos de letras que mexem um pouco com o pensamento das pessoas, crônicas de comportamento, como “Recado de um playboy”. O protesto nem sempre é só falando do poder público, dos políticos, da policia e sim de coisas que são importantes pra sociedade.

JC: Dos seus protestos iniciais, até hoje, o que você acha que melhorou e piorou no país?

Gabriel: Uma coisa que não surtiu efeito muito concreto, mas que foi um sinal importante de mudança de atitudes, foi os brasileiros terem ido pras ruas, tentar dar um basta em certas coisas, mais de um ano antes das eleições, e conseguiram trazer à tona um sentimento de indignação. Isso pra mim foi um bom sinal, as pessoas quererem participar, ainda não sabendo muito bem como e talvez ainda não sabendo exatamente os objetivos com clareza, do que deve ser transformado primeiro, mas querendo mudança. Isso eu achei bonito, foi um começo. Depois o ‘gigante’ dormiu de novo, mas isso deve ser marcado como um sinal de cansaço do povo que quis demonstrar uma reação. Vamos ver o que acontece daí pra frente, se a gente vai aprender a fiscalizar e cobrar os políticos, porque o povo não tem que participar só na hora de votar.

JC: Você conhece a história de seu bisavô Ribeiro Júnior, um militar rebelde e revolucionário, que fez história aqui em Manaus?

Gabriel: Minha avó, Eneida, escreveu a história dele. Ela fez um livro bonito e me comoveu a historia de amor entre ele e a minha bisavó. Até pra conseguir a mão dela em casamento ele teve que ser rebelde e lutar contra o desejo dos sogros de afastar a amada, dele. Minha avó está viva e pesquisou isso com muita emoção e amor, um livro que eu tive o maior prazer de ler. Pra quem não sabe, minha avó é uma ex professora, está lá em Brasília. Eu sempre falo dela nas palestras, que realizo. Ela me incentivou muito a gostar de ler e escrever, ainda me deu esse presente de saber um pouquinho da história de Ribeiro Junior. Acho que herdei algum traço dele, sim. O temperamento dele é bem diferente do meu, mas esse lance de ser teimoso, de lutar pelo seu amor e depois pelos seus ideais, poderia ser um traço que herdei e reconheço com orgulho porque temos no sangue algumas coisas em comum.

JC: Como será seu show aqui em Manaus no próximo sábado, e como vê a importância de eventos como este, que apoia a música e os esportes?

Gabriel: É sempre bom quando a gente volta a tocar em algum lugar depois de um tempo sem ir lá. Tem aquela saudade dos dois lados. A última vez que estive em Manaus eu adorei, passeei, curti a cidade, levei os filhos, mas foi um evento literário, não cantei, não levei a banda, não fiz show. Sei que vai ter uma galera bem empolgada com isso. Eu já sou um cara que gosta de futebol, trabalho nisso, com a molecada, gosto de outros esportes também. Na parte cultural qualquer tipo de apoio pras bandas novas é sempre bem vindo. As pessoas precisam de espaço. Acho que nesse evento tem um pouquinho de tudo isso. Será um prazer participar.

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