16 de abril de 2021

Tradição de empresa familiar continua

Tradição de empresa familiar continua

Enriquecidos, os proprietários da Casa Canavarro ainda se deram o luxo de criar cavalos de corrida, possivelmente para fazer parte de uma elite que promovia corridas de cavalo no hipódromo que funcionou no Parque Amazonense de 1906 até 1912 e fechou ­nesse último ano devido à crise da borracha.
Uma típica empresa familiar, com o passar das décadas, a Casa Canavarro foi passando de pai para filho. Em seguida a Antonio Jorge, assumiu seu filho Prudêncio Lopes Venâncio, depois o filho deste, José Norberto da Silva Venâncio e atualmente o quarto herdeiro, José Rogério Barbosa Venâncio, bisneto de Antonio Jorge.
Rogério Venâncio começou a trabalhar na Casa Canavarro ainda adolescente, mas assumiu em definitivo a administração da loja em 7 de setembro de 1988, após a morte do pai. Ele disse que procurou não mudar muita coisa na Casa nesses últimos 20 anos, a não ser com a introdução de utilidades domésticas como pratos de louça e porcelana, bacias e baldes plásticos e garrafas térmicas, entre outros.
Sobre o, ou os produtos com mais saída na loja, ele afirmou que não existem itens específicos que se destaquem nas vendas. “Pode-se dizer que o ­segmento de ferramentas é o que tem mais saída, acredito que sempre tenham sido esses os produtos que mais venderam na Casa Canavarro”. São ferramentas alemãs, americanas, tchecas, limas portuguesas, feitas com aço, importadas, como desde o começo da empresa.

O próximo
herdeiro

Rogério disse que o segmento de ferragens ainda é um bom negócio, agora aliado aos materiais de construção, mas ele não sabe qual será o futuro da Casa Canavarro. “Eu, particular­mente, não tenho pre­tensão de investir no negócio, mas sei que existem novas, e várias empresas abrindo suas portas, aqui mesmo pelo centro. Um exemplo de continuidade é a Fer­ragens Andrade, antiga e até hoje em funcionamento”, lembrou.
Nos tempos áureos da loja, sob a administração de seu pai, Rogério recordou que a Casa Canavarro chegou a ter 15 funcionários para dar conta do trabalho, possuindo cerca de 10 mil itens disponíveis para a clientela e até uma filial que vendia principalmente tintas. “Na época vendíamos muito para o Distrito Industrial, mas aí, em 1990, com a liberação da importação pelo governo Collor, as coisas mudaram. A China entrou com força no mercado e os produtos deles não são bons, mas são baratos. Preferi continuar vendendo meus produtos, um pouco mais caros, mas de qualidade”.
Atualmente, Rogério trabalha na Casa Canavarro com sua esposa e irmã e os itens disponibilizados estão entre 2.000 e 3.000 produtos os mais inimagináveis possíveis feitos, é claro, de ferro.
Entre os fatos interessantes do estabelecimento está a história que ele guarda, imortalizada no livro “Manaus, Amor e Memória”, de Thiago de Mello. Pitorescos também são alguns produtos que sequer chegaram a ser vendidos, e jamais serão, porque ficaram perdidos no tempo, tais como a máquina manual de cortar cabelos, o serrotão para cortar árvores, os cofres que cabem uma pessoa dentro, de quando a agência bancária funcionava no local. Ambiente típico que denuncia a tradição do negócio familiar.

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