Tecnologia de pescado auxilia vida do homem ribeirinho

Transformar espécies de peixe em farinha (piracuí, pescado defumado e salga úmida foi a alternativa encontrada por pesquisadores para aumentar lista de peixeis consumidos

Técnicas para a transformação de espécies de peixes em farinha (piracuí), pescado defumado e salga úmida foram as alternativas encontradas por pesquisadores para aumentar a lista das oito espécies de peixes mais consumidas na região (jaraqui, curimatã, pacu, tambaqui, tucunaré, matrinxã, sardinha e pirarucu). A inserção de novas tecnologias possibilitou mudanças no hábito alimentar e na comercialização de espécies sazonais em três localidades do lago Cabalena, no município de Manacapuru, no Amazonas.
Segundo o coordenador do projeto e professor Antonio José Inhamuns, do Departamento de Pesca, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), o Estado é o maior consumidor de peixe do Brasil. Todavia, das mais de 3 mil espécies existentes, apenas oito são as mais consumidas. Mas foram identificadas cerca de 150 espécies como possíveis alternativas.
A justificativa, disse ele, é que os ribeirinhos e caboclos acreditam que a carne dos peixes sem escama é “reimosa”. “Culturalmente, fazem a separação alimentar dando preferência ao peixe com escamas. A aparência e os tabus alimentares permeiam a mente das pessoas quanto à ideia de transmissão da leishmaniose e vitiligo, tanto nas comunidades dos rincões da Amazônia quanto na capital”, salientou.
As informações fazem parte do projeto “Tecnologia do Pescado no Lago Cabalena, município de Manacapuru”, desenvolvido a partir da necessidade de utilização racional do pescado disponível na localidade. A pesquisa faz parte da subrede “Bases para Sustentabilidade da Pesca no Amazonas”, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), cujo objetivo foi aplicar soluções de manejo sustentável e comercialização do pescado.
O projeto foi desenvolvido ao longo de três anos, quando as comunidades do lago Cabalena receberam treinamento para confecção de embalagem a partir do aproveitando de materiais encontrados na natureza, como talas de palmeira, cipó, fibra de juta e malva. A meta era agregar valor ao produto para comercialização. Também foram promovidos cursos de empreendedorismo.
A captura das espécies existentes para análise de composição química, verificando o teor de gordura, proteína, umidade, mineral e o aspecto nutricional foram os passos iniciais para propor uma alternativa de consumo.
“Já que ninguém vai comer o pescado fresco, em razão de não gostar do que vê. Aplicamos uma tecnologia alternativa de beneficiamento, agregando valor ao produto final. Com isso, evita-se a pesca predatória das espécies mais consumidas”, justificou.

Técnicas de beneficiamento

A vantagem dos processos utilizados, conforme Inhamuns, é a melhoria da aparência do que será consumido pelos ribeirinhos. Ele citou o caso da salga úmida, técnica pouco conhecida que apresentou aparência agradável e é indicada no tratamento de peixes gordos. Outro processo é a defumação do pescado, em que o peixe e a caça ficam expostos a fumaça e ao calor da fogueira, permitindo assim, a conservação e o uso por mais tempo. “Os índios já consumiam alimentos a partir desse processo, chamado de moquém”, afirmou.
Primeiramente, nas comunidades foram analisados os procedimentos desenvolvidos pelos comunitários. Na ocasião, foram indagados sobre as técnicas de conservação, além da utilização do gelo e sal, quando foi percebido o mau uso do sal. Logo após, foram aplicados processos tecnológicos com melhores condições de higiene, além da exigência de ambientes apropriados para o processamento. As comunidades indicaram grupos de produtores para capacitação no uso das novas tecnologias, que podem ser aplicadas conforme os períodos de seca e de cheia. “O calendário tecnológico foi proposto como norteador das ocorrências das espécies durante todo o ano e sugere o uso adequado para cada uma das espécies”, pontuou.

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