Sindipan diz que panificadores podem praticar novo aumento

Os constantes reajustes no preço da farinha de trigo nos últimos meses têm deixado pessimistas os empresários da indústria de massas e panificação de Manaus. Com a recusa do governo argentino, principal fornecedor ao mercado nacional, em exportar trigo para o Brasil, o país teve que recorrer a outras fontes, em especial Canadá e Estados Uunidos.
O problema é que os grãos comprados desses países estão sujeitos à incidência de uma tarifa de importação de 10%, o que encarece o produto. Em vista disso, o preço do pão francês, por exemplo, deve ficar mais caro ainda este ano.
De outubro do ano passado até junho desse ano, o preço da commodity aumentou cerca de 30%. Foram quatro reajustes nesse período, a saca saindo de R$ 57 antes do primeiro reajuste para os atuais R$ 74,01. Somente em 2007 o trigo subiu 12%, tendo começado o ano custando cerca de R$ 66,25.
Segundo o presidente do Sindipan (Sindicato das Indústrias de Panificação), José Martins Neves, a situação da indústria de panificação está bastante difícil. “Depois que a Argentina suspendeu as vendas para gente, tivemos que ir em busca de grãos em outros países. Tirando os Estados da região Sul, que têm uma produção capaz de suprir a demanda deles, todos os outros Estados do país estão com dificuldades para manter estável o preço dos produtos”, informou Neves.
Por enquanto, as padarias ainda não aumentaram o preço do pão francês. Porém, se a alta se mantiver, a tendência é de repasse para o consumidor. A farinha de trigo tem peso muito grande no preço final do produto, em torno de 40% do custo de produção, e até agora muitos empresários não fizeram mudança nos preços praticados na cidade, onde o quilo varia de R$ 5 a R$ 7,50. “Cada empresário avalia o seu ponto de equilíbrio para vender o produto. Quem não fez o reajuste em junho, quando houve o último aumento, deve fazer agora”, disse o presidente do Sindipan. Em Manaus existem cerca de 800 panificadoras, que no primeiro semestre obtiveram 8% de aumento no faturamento ante o mesmo período do ano passado, apesar das dificuldades.
A notícia deve desagradar não apenas aos consumidores, mas aos comerciantes em geral, pois o aumento de preços vem seguido de queda nas vendas. Segundo especialistas, o mercado sofre retração quando há algum aumento, passando de dois a três meses para equilibrar as vendas.
O consumo nacional de trigo chega a 10 milhões de toneladas ao ano. A safra produzida no Brasil está estimada em 2,5 milhões de toneladas em 2007, ou seja, muito aquém da quantidade demandada. Esse déficit era quase todo absorvido pela produção argentina, que segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), era responsável por mais de 90% das nossas importações. Em março, o país vizinho suspendeu as exportações de trigo em grão, alegando proteção ao abastecimento interno. Os grãos comprados de países fora do Mercosul estão sujeitos a TEC (Tarifa Externa Comum), um imposto que aumenta os preços em cerca de 10%.

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