Restaurante dançante reúne hermanos

Os colombianos, há muito são gran hermanos dos brasileiros, mas se tornaram ainda mais hermanos depois da calorosa acolhida que nos deram após o acidente fatal com o time da Chapecoense, em novembro passado. Um exemplo de como o colombiano é amistoso é Jorge Eliecer Molina, proprietário do restaurante dançante La Finca, no D. Pedro I, há dez anos ponto de encontro de brasileiros, mas principalmente de latinos.

Jorge nasceu em Cartagena, cidade litorânea no Caribe, mas há 30 anos está no Brasil. “Morei quase 20 anos na tríplice fronteira e só há dez vim para Manaus. Daqui não pretendo sair”, disse Jorge que, além de proprietário do La Finca, também faz as comidas típicas do restaurante. “Gostava de ver minhas tias fazendo as comidas. Quando cresci, fui estudar gastronomia no Cena (Centro Nacional de Aprendizagem), que realiza cursos voltados para o turismo”, lembrou.

Molina vê algumas similaridades entre os países. “Como aqui no Brasil, cada região da Colômbia tem sua gastronomia típica e, como eu morei em vários lugares lá, aprendi de tudo”, disse. Do Peru, enquanto morou na tríplice fronteira, Jorge se aprimorou no mais famoso prato peruano, o ceviche (peixe cru marinado em suco de limão e temperado com pimenta, cebola roxa, coentro, gengibre e azeite). “Em Manaus eu uso o pirarucu no ceviche”, completou.

Outro prato do cardápio do La Finca é o Leichona Tolimense. “O leitão é recheado inteiro com arroz, ervilha e várias ervas. Depois de dez horas no forno a lenha, fica pururuca. Na Colômbia o leitão se faz presente em muitos dos pratos”, esclareceu. “Ainda temos o Chicharron Carnudo com platano (banana) madura. Mais uma vez o leitão, em forma de torresmo. Excelente aperitivo acrescido de sal e azeite”, disse.

No interior da Colômbia as pessoas têm o costume de fazer comidas envoltas na folha de bananeira. Uma dessas comidas é o Tamal, embrulhado na folha tipo uma pamonha, porém, o recheio é de carne de porco, carne de frango, arroz bem temperado com ervas, repolho, ervilha, ovo cozido, batata, cenoura e molho de milho. “Depois é só deixar cozinhando por duas horas em banho maria”, falou.

Em abril, dez anos

Mas tem um prato que, certamente, é o que Jorge mais gosta de preparar: a arepa (massa de milho branco recheada com queijo coalho, ou ainda com carne, frango, bacon ou camarão). Foi vendendo essa comida nas ruas de Manaus que ele conseguiu se capitalizar e investir no La Finca. A Arepa também é típica na Venezuela e no Panamá. “Como é muito gostosa, fazia muito sucesso nas ruas e agora aqui no La Finca”, disse.

O cardápio do La Finca apresenta 21 pratos e 15 tira gostos colombianos, também encontrados nos nossos países vizinhos. “Cito o Chorizo -o chouriço brasileiro (linguiça artesanal, defumada feita com carne de porco, acompanhada de Arepa ou macaxeira); tem o Patacon (banana verde frita amassada coberta com queijo coalho ralado); a entrada Empanada (bolinho de massa de milho recheado com vários tipos de recheio); e o peruano Tacacho con Cecina (carne de porco defumada e banana verde assada misturada com torresmo e cebolinha)”, conta Molina.

Se o cliente quiser peixe, a casa atende. “Temos o peruano Chicharron de Pescado (pedaços de qualquer espécie de bagre, empanados na farinha com maizena, temperados com limão, azeite, sal e pimenta).
No La Finca, como o ceviche, eu uso o pirarucu”, adiantou. Pra beber, o licor de aguardente Cristal, uma mistura de azeites essenciais e anis, tipicamente colombiano.

Em abril o La Finca completou dez anos num amplo espaço, um sítio (la finca é sítio, em castelhano) no D. Pedro I, próximo ao Esquadrão de Cavalaria da PM. “Começamos timidamente, com algumas mesas, propaganda boca a boca, e os clientes começaram a aparecer. Atualmente, às sextas e sábados a casa recebe entre 150 e 200 pessoas.

Costumo dizer que os clientes vêm aqui para comer, beber e dançar, por isso o chamo de restaurante dançante”, explicou.

E a casa se tornou um ponto de encontro de colombianos, peruanos, venezuelanos, bolivianos, cubanos e de vários outros latinos. Além da comida, o que atrai esse público são as músicas ao vivo, que os fazem lembrar de suas terras.

Noites musicais
O restaurante funciona de quarta-feira a sábado, somente para o jantar. “As músicas acontecem às sextas, com o Forró Dançante e a Noite Latino-Brasileira. Aos sábados, só música latina, principalmente cúmbias colombianas, mambos e rumbas cubanas, zouks haitianos, reggaetons panamenhos, guarânias paraguaias e merengues dominicanos”, lembrou.

“Calculo que 80% dos clientes sejam brasileiros e os 20% de países vizinhos”. E todos os artistas que se apresentam no La Finca são de países vizinhos: a estrela das noites do restaurante é a peruana Tati Coração Latino; outros peruanos são a dupla Raul e Rocio; já as bandas Som 3 é formada por três venezuelanos e a Fusão Latina tem venezuelanos e colombianos.

Jorge também gosta de comemorar as datas importantes com muita festa. “No dia 7 de julho vamos realizar o 1° Arraial Latino Brasileiro com comidas típicas do Brasil, da Colômbia e do Peru.
Quanto às datas que costumamos comemorar tem o 20 de julho (independência da Colômbia) e o 28 de julho (independência do Peru), mas qualquer data que seja importante para nós, da América Latina, faço questão de comemorar.

Aqui somos uma casa de povos irmãos, que só querem aproveitar a boa comida e a boa música”, finalizou.

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