Resina da floresta para inibir peso

Quem anda pela floresta, em meio às árvores amazônicas, se costuma prestar atenção em detalhes, com certeza já observou uma resina que sai do caule de determinadas árvores. É o breu branco, há tempos largamente usado na indústria cosmética e que agora, a partir de pesquisas realizadas nos laboratórios da Ufam, poderá também ser um produto a mais das indústrias farmacêuticas como aliado na inibição do aumento de peso.
Quem está à frente das pesquisas dessa nova utilidade do breu branco é o bioquímico acreano/amazonense, e professor da Ufam, Emerson Silva Lima. Emerson, que é coordenador do Laboratório de Atividades Biológicas da Universidade, não sabe exatamente o porquê de as árvores expelirem tal resina, mas acredita que seja uma forma de autodefesa ao sofrer algum tipo de agressão ao seu caule, quem sabe um tipo de bálsamo natural.
Com financiamento da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), as pesquisas de Emerson fazem parte de um projeto da tese de doutorado da aluna do PPG-Bionorte, Rosilene Silva, e foi desenvolvido juntamente com o grupo de pesquisa do professor-doutor do Departamento de Química da Ufam, Valdir Veiga Júnior.
“Em nosso laboratório estudamos as atividades de substâncias e produtos naturais específicos para combater o diabetes e a obesidade e descobrimos que da amirina, produto natural isolado do breu branco, poderíamos fazer a amirona, um produto oxidado capaz de inibir o aumento do peso”, explicou. “Apesar de a amirona atuar queimando gordura, isso não quer dizer que a pessoa poderá sair comendo à vontade e não irá engordar”, adiantou.

Encontrado em toda a Amazônia

O breu-branco é uma resina de odor agradável e fresco, que nasce do cerne do tronco da árvore (Protium hepytaphyllum).
A árvore expele esta resina naturalmente pelo tronco, como forma de autoproteção, quando é danificada ou ‘ferida’ por algum animal ou inseto. No princípio o breu tem cor branca e brilhante, lembrando um mineral. Com o tempo, solidifica-se, formando uma massa dura, esbranquiçada e cinzenta, ou cinza-esverdeada, bastante quebradiça e facilmente inflamável. Quando não é extraído, o breu branco vai “amadurecendo” e se solidificando até cair no chão para depois surgir novamente no tronco da árvore.
A família breu compreende mais de 800 espécies tropicais, vulgarmente denominadas copal. O breu branco, ou breu verdadeiro, é o mais comum e o mais utilizado. É uma árvore de porte médio, entre 20 e 30 metros, e cuja madeira é utilizada na construção civil e no fabrico de vários objetos. Suas numerosas flores são de cor creme e seus frutos, que medem de 1 a 1,5cm de diâmetro, variam entre o esverdeado, amarelo e vermelho escuro. Os frutos são muito aromáticos e muito apreciados pelos povos da floresta.
Esta espécie pode ser encontrada em toda a região amazônica e as outras espécies, do mesmo gênero, na Mata Atlântica. Crescem nas áreas de terra firme, em solo arenoso e argiloso, abundante em matéria orgânica.
A resina do breu é industrialmente utilizada para a fabricação de verniz, velas para iluminação e repulsivas de insetos. Também é usado como verniz para calafetação de canoas e comburente para o fogo. Seu óleo essencial é largamente empregado na indústria cosmética e de perfumes e também para a produção de produtos de higiene. A resina do breu branco é utilizada na medicina popular como anti-inflamatório, analgésico, cicatrizante, estimulante, utilizado nas obstruções das vias respiratórias, bronquite, tosse e dor de cabeça. Também é empregado como incenso nas igrejas ou ritos religiosos.

Indústrias farmacêuticas interessadas

As pesquisas de Emerson consistem em isolar a amirona, que é capaz de inibir enzimas digestivas, degradar e digerir carboidratos e lipídios. A inibição dessas enzimas faz com que esses carboidratos ou esses lipídios não sejam absorvidos e, assim, reduzir a hiperglicemia (aumento do açúcar no sangue) ou a lipidemia (presença de gordura saturada no sangue) de animais ou de pacientes em tratamento com essa substância.
“Os testes foram realizados com camundongos vindos de São Paulo especialmente para esse trabalho que consistiu em alimentá-los com alto teor de calorias como leite condensado, biscoitos e chocolate, entre outros alimentos. Com os animais os resultados foram positivos, mas ainda haverá um longo processo até que a descoberta seja testada em humanos”, contou. Os camundongos foram divididos em dois grupos: um com indivíduos induzidos a desenvolver obesidade e outro com indivíduos magros. Em quatro meses o primeiro grupo atingiu a obesidade e a partir desse momento passaram a ser tratados com a amirona. Mesmo com a dieta calórica, os camundongos perderam peso e ainda tiveram uma diminuição de colesterol e de glicose, ou seja, açúcar no sangue.
A pesquisa está na última fase que consiste na confirmação se os animais não sofreram nenhum tipo de toxidade orgânica durante o tratamento com a substância. “Essas pesquisas devem durar de quatro a cinco meses e só após elas, iremos passar a testar o produto em humanos”, falou.
Com a descoberta patenteada, Emerson fez contato com indústrias farmacêuticas de São Paulo que, de imediato se interessaram pelo produto. “Quando chegarmos ao resultado positivo no final das pesquisas e o breu branco tendo contribuído para isso, esperamos que, transformado em medicamento, ele possa mudar a vida de muitas pessoas que tem uma tendência maior a ganhar peso”.

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