Reflexões sobre a aula expositiva tradicional

O objetivo deste texto é refletir sobre uma das técnicas de ensino mais utilizadas pelos professores dos mais diferentes níveis de ensino: a aula expositiva. É uma atividade exclusiva do professor e a passividade dos alunos. Essa realidade é decorrência das contradições existentes entre a formação do profissional do ensino e as péssimas condições de trabalho existentes nas instituições de ensino, quer do ensino fundamental e médio, quer da educação superior. Essa técnica de ensino cultiva uma relação autoritária na sala de aula, onde os conteúdos transmitidos pelos professores são tidos como conhecimento pronto, acabado e como verdades absolutas. É uma técnica de ensino que reduz não só a participação dos alunos, mas também a aprendizagem em níveis superficiais, considerando que não possibilita o questionamento por parte dos discentes.
Embora ela seja criticada por muito educadores, a aula expositiva objetiva fazer com que os alunos adquiram uma compreensão inicial, imprescindível para a aprendizagem de uma nova temática. Entendemos que uma aprendizagem total não pode ser alcançada numa aula expositiva, mas apenas uma primeira compreensão de informes essenciais. Não deve ser um expediente rotineiro. É crime impedir que o aluno leia textos e livros das disciplinas referentes à habilitação que cursa. A leitura é condição sine qua non para a construção de trabalhos acadêmicos. Os alunos tanto da educação básica quanto da educação superior devem ler, comentar, analisar, apreciar textos de valor literário, como objetivo de produzir conhecimento.
As escolas precisam estimular o pensamento crítico do aluno, dando-lhe uma dimensão dialógica.“O diálogo […] deve ser considerado não apenas como uma conversação mas sim como uma busca recíproca do saber” (PAULO FREIRE). A aula expositiva da maneira como vem sendo trabalhada torna-se um desestímulo à criatividade ou uma ofensa contra o aluno, já que pressupõe uma incapacidade de interpretação e leitura de mundo por parte dele. O surgimento do livro condenou a aula expositiva à morte. Como salienta Pedro Demo, professor da Universidade de Brasília, “a aula pode não ter nada a ver com a aprendizagem. Na verdade, a maioria das aulas não faz mais que atrapalhar a aprendizagem, pois mantém o aluno como objeto de manipulação. A aula é, de longe, muito mais interessante para o professor, do que para o aluno. Como regra, a aula é expediente expositivo, que facilmente decai para o reprodutivo, quando o aluno é condenado a escutar, tomar nota e fazer prova. De certa maneira, imagina-se que a aula já pensou pelo aluno, dispensando que o aluno pense por si. Daí segue a compulsão de tomar nota e devolver na prova, de preferência “ipsis litteris”.
Em síntese, podemos dizer que numa aula expositiva dialógica o aluno é ativo, não sendo o professor que fala e que sabe; há participação e o esforço do aluno para aprofundar e incorporar conhecimentos novos, permitindo o desenvolvimento do real e de sua própria situação histórica. Na aula expositiva tradicional, os alunos são receptáculos, passíveis ouvintes que deverão reproduzir o que foi transmitido. Trata-se do que Paulo Freire intitulou de educação bancária. Os conteúdos são factuais, seqüenciados e inquestionáveis, não passíveis de reflexão e interpretação.

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