O grande espetáculo da semana em nosso país, a greve dos caminhoneiros, veio trazer aos mais coerentes e preocupados com o destino de nosso país várias preocupações. Em primeiro lugar torna-se necessário rever o conceito da greve, um instrumento legal e justo de manifestação e protesto de categorias profissionais, porém hoje vulneráveis à utilização como instrumentos políticos e econômicos na forma de locaute.

Além disso tudo, uma manifestação que envolva um setor capaz de paralisar quase a totalidade da cadeia produtiva de um país como o nosso, independente de ser um erro estrutural de nossos governos, não pode ter a capacidade e o direito de castigar toda a sociedade em seus direitos fundamentais. Neste caso como aconteceu com esta suposta greve, a extensão e a radicalização da paralisação, atingiram saúde, educação, transporte e todos os setores sociais de nosso país, que não podem pagar a conta de erros que não são necessariamente seus.

Em nenhum momento se pode negar a precariedade e o fracasso brutal da política fiscal e a falta de coerência com os quais o governo brasileiro vem tocando a máquina pública principalmente nos últimos vinte anos. Depois de um trabalho de equipe dos economistas responsáveis pelo Plano Real que durante oito anos conseguiram a missão quase impossível de colocar o país nos trilhos, a emoção e a total incoerência política e social brasileira misturou o trabalho técnico com a ideologia fugaz do populismo esmoler e derrubou a grande chance que nosso país teve de se tornar uma grande economia.
Hoje em pleno século 21 esta greve que não é necessariamente dos caminhoneiros vem comprovar de forma brutal o quanto nosso desgoverno está completamente vulnerável a todas as forças malignas da ideologia negativista do antipatriotismo, que anseia pelo poder a qualquer custo e não aceita ter perdido a fonte de riqueza montada nestas duas décadas em que o povo, alimentado pelas migalhas de bolsas esmolas e chavões já bastante conhecidos, lhes permitiu saquear um dos países com um dos maiores graus de possibilidades econômicas da América Latina, quiçá do mundo.

O preço dos combustíveis está inegavelmente absurdo, fruto de uma política idiota de subsídios adotada pelo governo Dilma e do saque descarado à Petrobrás iniciado por Lula. Não se deixe de fora as alíquotas de impostos, grandes não apenas no tamanho quanto na quantidade, que o governo não consegue controlar pois os GASTOS PÚBLICOS se tornaram INCONTROLÁVEIS. Se alguma greve realmente justa precisa ser feita, deve ser do povo brasileiro como um todo contra os gastos excessivos e absurdos do governo, incluindo os valores inventados dos auxílios dos nossos parlamentares e juízes, além dos gastos com ex-governantes. Quem já saiu do cargo não tem de ser sustentado indefinidamente, muito menos com a pompa e circunstância com que o nosso governo o faz.

Todas as categorias ao fazer uma greve, quando são realmente setores essenciais e responsáveis, são obrigados por lei e por decência a manter um percentual da classe funcionando para evitar a paralisação do setor e dos serviços dependentes dos mesmos. Logo temos que analisar até que ponto esta paralisação dos caminhoneiros ou de seus patrões, o que caracteriza o Locaute, está dentro da legalidade pela forma como foi efetivada.

Ficou bastante claro para os brasileiros conscientes que o acontecido tinha um cunho meramente politico e de manipulação, onde os trinta por cento dos reais caminhoneiros autônomos, aqueles que quiseram sair da greve e foram impedidos ou tiveram seus caminhões apedrejados, foram meros fantoches. Logo, precisamos ter menos arroubos de compaixão e mais razão na análise do que acontece em nosso país para não apenas fazer mapeamentos e comentários dos fatos mas buscar soluções de fato.

O mais triste de toda esta história foi o papel ridículo de nosso governo que não soube agir como o intermediário no momento certo e com a força de sua função na hora de defender o povo, o verdadeiro dono da nação. Ficar esperando uma solução e deixar que as notícias mais estapafúrdias e incoerentes sejam lançadas como partes do governo, além da clara desconexão entre executivo, legislativo e judiciário e mesmo entre membros do próprio Planalto, somente bagunçam ainda mais um desgoverno que não consegue mais a confiança de seu povo quanto mais do mundo.

O legado de tudo isso foi a pergunta que ficou em relação ao escalões de nosso governo: AFINAL, QUEM MANDA EM QUEM?

*é professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa SINÉRGIO

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