Produção industrial cresce 22,2%

Após um fevereiro de baixa produção, a indústria amazonense registrou na passagem de fevereiro a março, uma alta de 22,2%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, divulgada nesta terça-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas os números não são animadores quando comparados a outros indicadores do mesmo instituto. No acumulado do ano a queda na produção industrial foi de -18%. Outro número preocupante foi o da queda de R$ 20 bilhões para R$ 16 bilhões no faturamento do PIM (Polo Industrial de Manaus) entre o primeiro trimestre de 2015 e 2016, o equivalente a 17,22%, segundo a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
Desequilíbrio entre produção e faturamento
O primeiro trimestre também foi amargo para o maior setor do PIM. A retração do polo eletroeletrônico foi de 26,8% em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, a diferença entre fevereiro e março não representa uma produção satisfatória. “É algo natural, fevereiro costuma ter uma baixa produtividade e vendas ainda menores por conta do carnaval”, disse.
De acordo com Périco, que também preside o Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), ao se comparar a produção ao faturamento se tem a noção do prejuízo. “Para ser considerado um bom período é necessário que o faturamento seja ascendente por pelo menos quatro meses. Assim se desovariam os estoques, o que faria movimentar a produção industrial. E no período citado, o polo de eletroeletrônico não registrou esse movimento”, conta.
Início do segundo trimestre
Já para o setor de Duas Rodas, após a retração de 34,4% entre março de 2015 e 2016 e de 23,5% em 12 meses, o segundo trimestre também começa com queda. Das 80.530 unidades fabricadas em março, o mês seguinte teve 63.036 motocicletas produzidas, uma retração de 21,7%, segundo a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares). No quadrimestre, o recuo foi de 36,4%, passando de 453.958 motocicletas, em 2015, para 288.499, em 2016.
Também creditando ao período a pouca produtividade e as baixas vendas, o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian espera uma melhora com a virada do semestre. “Assim como todos os setores, a indústria de duas rodas analisa com cautela os desdobramentos macroeconômicos. De qualquer forma, levamos em conta que, tradicionalmente, no segundo semestre o mercado costuma apresentar desempenho melhor, com resultados mais positivos”, afirma em nota o presidente da entidade.
Menos empregos
Março também foi de menos empregos para o PIM. A mão de obra efetivada, terceirizada e temporária em fevereiro, era de 86.348 empregos, já no mês seguinte, o número era de 83.235 postos de trabalho. “Alguns setores vem produzindo cada vez menos e os estoques vêm se acumulando. Com esse cenário, a saída tem sido demitir, infelizmente”, conta Périco. Os subsetores que mais demitiram no período, também foram os que menos produziram, como os de ar-condicionado, televisores e motocicletas.
O desemprego no PIM, afeta outros setores da economia amazonense que depende muito da movimentação industrial, disse o economista da Fecomércio-Am (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira. “O desemprego da indústria, que é a principal matriz econômica do Estado reduz o poder do consumo, o que atinge em cheio outros setores, como o comércio”, fecha Pereira.

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