Produção de malva e juta no Amazonas pode desaparecer

A produção de malva e juta, amplamente difundida na região e de extrema importância para a economia social do Estado, vem passando por dificuldades em 2014, o que está causando muita preocupação aos produtores, cooperativas e indústria. Segundo os participantes da cadeia produtiva, o assunto merece uma imediata providência para tentar salvar o setor no Amazonas. Os envolvidos na produção pedem mais empenho por parte do governo e incentivo aos produtores, como as ações da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Fibras Naturais do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e as subvenções pagas pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Entraves para a produção
A produção de fibras na região, que já foi pujante em outras épocas, há tempos vem enfrentando problemas. Estes vão das cheias sazonais, êxodo rural e troca de cultura pelos juticultores, como explica o superintendente da Conab-AM, Thomaz Meirelles.
“Com as dificuldades, muitos produtores buscam alternativas de renda que não sejam tão sofridas quanto a produção de fibras e os mais jovens não tem interesse em continuar”, comenta.
O incêndio do armazém da Coomapem (Cooperativa Mista Agropecuária de Manacapuru), em julho de 2013 foi outro golpe no segmento produtivo de fibras.
Na época, a cooperativa tinha estocado 700 toneladas de malva e juta, esperando a comercialização. Ainda em janeiro do mesmo ano a CTC (Companhia Têxtil do Castanhal) foi fechada definitivamente em Parintins, deixando de atender aproximadamente 250 famílias produtoras de fibras da região.
A CTC atuava na cidade desde os anos de 1970 e fazia circular por ano na economia local uma média de R$ 400 mil na temporada de colheita que vai de fevereiro a julho.

Baixo volume de estoque
A Coomapem teme pelo fim da produção no Amazonas. Até agora a cooperativa só conseguiu adquirir 100 toneladas dos produtos desta safra. A falta de um armazém certificado pelo Mapa, por exemplo, pode gerar mais problemas ainda. “Ano passado a Conab deixou de comprar a produção, pois precisa negociar com um armazém credenciado com o Ministério da Agricultura. Isso em parte desestimulou o juticultor”, conta Meirelles.
Outro fator que irá prejudicar a produção de fibras locais é a suspensão da distribuição de sementes por parte do Estado, cabendo à indústria têxtil esse papel.
Segundo o técnico do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas), Zacarias Gondim, a situação do setor produtivo de fibras é bastante preocupante, pois, a estimativa da safra para este ano que deveria girar em torno de três mil toneladas neste mesmo período falhou, e até o momento só foi adquirida pelas cooperativas e indústria pouco mais de mil toneladas.
“A situação é preocupante e merece uma imediata reflexão de todos os atores da cadeia produtiva no Estado”, declarou técnico.

Ações governamentais
Como estímulos à produção e geração de emprego e renda para o interior, a Conab, por meio de subvenções vem adquirindo as fibras e praticando preços justos para a realidade do produtor. Ano passado, as fibras tiveram um reajuste de 100% nos seus valores, passando de R$ 0,20 para R$ 0,40.
O valor mínimo do quilo da fibra embonecada (em fardos de 50 quilos) no mercado é de R$ 1,96, e o da fibra prensada é de R$ 2,17. Com a subvenção do governo do Estado, o valor alcançado pelo produtor com a comercialização mínima da fibra chega a R$ 2,36, a fibra prensada, e R$ 2,57, a fibra embonecada. Ano passado, dez municípios (Anamã, Anori, Beruri, Coari, Careiro da Várzea, Codajás, Caapiranga, Iranduba, Manacapuru e Manaquiri) produtores de fibra no Estado receberam R$ 2.660.221,49 em subvenções.

Câmara setorial
Criada em 2011, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Fibras Naturais é vista como um ponto positivo na luta pelo fortalecimento do segmento. Com o intuito de colocar as fibras naturais no mercado interno e combater as dificuldades na exportação, a criação da entidade é comemorada, mas sabendo de seus limites. “É algo positivo, mas a Câmara é deliberativa e consultiva, não tem a ‘caneta’, mas dá ao Mapa as diretrizes. Reuniões periódicas da entidade servem para aumentar a eficiência do setor”, fecha Meirelles.

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