Política de preço mínimo significa retrocesso, diz presidente da Unica

O presidente da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), Marcos Jank, considerou “um retrocesso” a proposta estudada pelo governo federal de criar uma PGPM (Política de Garantia de Preços Mínimos) para a matéria-prima, proposta negociada por produtores nordestinos com o Ministério da Agricultura.
“É um retrocesso, porque a cana desenvolveu um mecanismo de balizamento de preços que é o mais moderno da agricultura”, disse Jank em Catanduva (SP), onde participa de um seminário sobre o setor sucroalcooleiro.
O mecanismo ao qual Jank se refere é o Consecana (Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool), criado em São Paulo, que define os preços pagos pelo setor produtivo pela matéria-prima entregue nas usinas por meio de nove variáveis dos valores de comercialização do açúcar e do álcool.
“Introduzir na cana algo que nunca existiu e que nunca resolveu os problemas nas atividades onde existe, que é o preço mínimo, não é inteligente”, disse Jank.

Estocagem do álcool

Além do Consecana e da regulação do mercado nordestino por meio de contratos entre usineiros e fornecedores, o que não ocorre na maioria das negociações, Jank citou ainda a busca de mecanismos que garantissem a estocagem de álcool como forma de evitar a volatilidade do preço do combustível e, como consequência, da cana.
“É necessária a criação de mecanismos que permitissem o carregamento de estoques, não só por usineiros, mas por qualquer agente da cadeia. Isso traria uma estabilidade aos preços”, avaliou o presidente da Unica.
Jank citou ainda como um problema “estrutural” para a volatilidade dos preços do álcool a política de “congelamento” dos preços da gasolina há mais de três anos” aos consumidores adotada pelo governo federal, apesar das constantes altas do petróleo no mercado internacional.
“Se a gasolina aumentasse, como aconteceu em todo mundo, o álcool acompanharia os reajustes e teria um preço mais remunerador”, concluiu Jank.

Diálogo inédito

Marcos Jank considerou que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, “fez uma coisa inédita que é abrir o diálogo entre e a agricultura e o meio ambiente”.
Jank participou, na quarta-feira, 20, do encontro entre lideranças do agronegócio e Minc, em Brasília, que discutiu pontos contrários do setor produtivo ao decreto 6.514, que regulamenta crimes ambientais.
Jank considerou o decreto como “um mal que veio para o bem”, justamente por abrir a discussão sobre a convivência entre a produção agrícola e o meio ambiente.
“Esperávamos que esse decreto absurdo, que impõe multas pesadas e que levaria à quebradeira na agricultura, servisse para abrir o diálogo, o que já ocorreu, e que inclusive nos permitisse encontrar uma saída para a reserva legal”, afirmou Jank.
Entre os pontos polêmicos do decreto 6.514 estão a proibição do plantio em áreas com mais de 25 graus de inclinação e, principalmente, a necessidade da averbação, em até 120 dias, das áreas de reserva legal das regiões rurais.
O setor produtivo calcula que se esses pontos fossem cumpridos, seria praticamente impossível ter agricultura em Estados como Santa Catarina e, ainda, que a área brasileira de culturas permanentes e anuais cairia de 62 milhões de hectares para 12 milhões de hectares.
Ainda de acordo com o presidente da Unica, o diálogo entre os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente pode resolver um imbróglio que vem desde os anos 60. “Até aqui essa questão é como um novelo sem ponta, mas Brasil tem maturidade para o caminho do diálogo e o ministro Minc colocou na reunião de ontem dois pontos fundamentais para isso. O governo não quer afetar a produção, mas quer mais proteção aos recursos ambientais”, concluiu.

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