O isolamento social ampliou um tipo de serviço que já existia, o de home chef, cuja finalidade era preparar o cardápio para grandes eventos num mesmo ambiente. Sem poder haver a reunião de muitas pessoas, eis que surge o personal chef, se disponibilizando a produzir o cardápio até para uma pessoa.

A história de Márcio Gonzaga com a gastronomia vem de família, com muitos parentes já atuando em outras áreas, e isso tem passado de geração para geração.

“Minha avó era uma ‘caboca’ do interior, com mão excelente para preparar qualquer tipo de comida. Quando ela fritava um ovo, podia ter certeza que era o ovo frito mais gostoso do mundo. Cozinhar é amor. Isso é real. Se você cozinha com amor, todo mundo vai gostar da tua comida”, ensinou.

 História de Márcio Gonzaga com a gastronomia vem de família – Foto: Divulgação

Uma das primeiras coisas que Márcio aprendeu a fazer foi café, depois sucos, e credita tudo ao ‘olhômetro’.

“Olhava como os outros faziam e depois repetia. Quando fui trabalhar como garçom num restaurante de comida mexicana, comecei a ver a particularidade das comidas. A comida mexicana é totalmente diferente da nossa, com muita pimenta. Aí fui aprender sobre vinhos. Então estudei gastronomia. Não era muito o que eu queria, mas quando comecei a estudar, gostei, principalmente do gerenciamento de uma cozinha”, lembrou.

Até hoje Márcio atua como barman. Há três anos é professor de gastronomia do Senac e continua estudando e fazendo cursos. No próximo ano fará mestrado e pretende direcionar estudos para melhorar a gastronomia hospitalar, da qual todo mundo reclama.

Começou com os amigos  

Márcio prefere atuar mais como personal chef, atendendo amigos e famílias, do que como home chef. Antes da pandemia já fazia coquetéis e petiscos, porém, a situação inusitada do isolamento social fez com que ele se reinventasse.

“Fiquei sem trabalho. O Senac suspendeu as aulas e os eventos foram cancelados. Como tinha muitos amigos que gostavam de comer em restaurantes e agora estavam ‘presos’ em casa, comecei a divulgar nas redes sociais que estava preparando comidas e entregando em casa, dos pratos mais simples, caseiro, aos mais sofisticados. Passava o cardápio, eles pediam, eu ia ao supermercado, comprava tudo e fazia. Deu certo”, disse.

O cardápio preparado por Márcio é variado, porém simples, baseado na comida caseira, aquela que ativa a memória afetiva das pessoas. Mas se o cliente quiser frutos do mar, ele também conhece.  

Entre os pratos mais solicitados, o chef citou os peixes, moqueca, escabeche, caldeirada; seguidos pelas carnes nobres, picanha, assados; depois bacalhau, camarão e frutos do mar.

“Muita gente acha que fazer churrasco é só colocar a carne sobre o fogo e deixar assar, mas existe uma técnica para aquela carne não ser apenas uma carne assada. Um leigo no assunto não saberá preparar um verdadeiro churrasco”, afirmou.

Mas como qualquer outro profissional, um personal chef não sabe de tudo. Márcio, por exemplo, não é especialista em tortas, doces e sobremesas, e quando aparecem pedidos destes, ele consulta alguém da área de pâtisserie, ou mesmo padeiros, e chefs de cozinha quente.

“Tenho uma equipe de profissionais que busco quando necessário. Nunca digo não ao cliente e o segredo do sucesso é apresentar um produto de qualidade”, garantiu.

Chatos ou exigentes   

Lidar com pessoas ‘difíceis’ é uma situação que enfrentamos no dia a dia. No trabalho de Márcio ele as encontra desde quando foi garçom. E teve que aprender a aturar os ‘chatos’, quer dizer, exigentes.

“Cada um tem sua personalidade própria. Uns aceitam tudo, outros gostam de complicar. Para lidar com estes é preciso treinar. E eles são bem comuns. Todo dia vivo isso. Recentemente tive um cliente extremamente exigente, que queria tudo além do que havia pedido. Atendo. Tudo o que peço é respeito, mas procuro atender ao mais exigente”, revelou.

“Tem o que ‘fica em cima’, o que reclama de tudo, o que quer tudo do jeito dele. Tenho que agradar a todos, pois estão me pagando para isso. Não estou fazendo um favor para eles, ao contrário, eles é que estão me fazendo um favor em me contratar”, completou.

Entre os pratos que Márcio mais gosta de fazer estão os peixes e os petiscos. A caldeirada em primeiro lugar, depois o petisco de charque, o famoso jabá, com jambu, mostarda e banana frita. Entre os pratos sofisticados, bacalhau banhado no azeite e pimentões de três cores.

O personal chef atua em embarcações, condomínios, sítios, não só preparando almoços e jantares, mas também cafés da manhã e lanches da tarde, para uma a até 100 pessoas. E ainda dá aulas de cozinha fácil, onde ensina desde fritar um ovo a fazer arroz com feijão.

“E não apenas preparo as comidas, mas monto e sirvo a mesa, faço apresentação dos pratos e finalizo o serviço. Para eventos grandes, levo garçons. O maior pagamento para qualquer chef é o sorriso do cliente e o huuumm, no final”, destacou.

“Na animação ‘Ratatouille’, o ratinho diz que qualquer um pode cozinhar. Não tenha medo. Vá, aprenda e faça. Tenho certeza que vai gostar”, concluiu.

Informações: 9 9181-3006; Face: Marcio Gonzaga; Instagram: @m_gonzaga.

Foto/Destaque: Divulgação

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