Páscoa bem pesada para o bolso

Pesquisa aponta que 68% dos consumidores vão poupar no feriado

Na maioria das casas brasileiras, o feriado da Páscoa é sinônimo de reunir a família para o almoço. Além dos chocolates, o bacalhau e outros peixes não podem faltar na data. Mas com os produtos cada vez mais caros, o feriado ficou sem alguns desses itens tradicionais: 68% dos consumidores avisaram que pretendiam gastar menos nesta Páscoa, mostrou uma pesquisa realizada pela Boa Vista SCPC.

Ainda de acordo com o levantamento, um dos produtos mais procurados sempre nessa época é o chocolate –77% dos consumidores ainda demonstraram vontade de comprá-lo. Entre eles, 61% compraram ovos de Páscoa, enquanto 39% escolheram opções mais baratas, como bombons e barras.

O gasto médio da maioria desses consumidores deve ficar entre R$ 50 e R$ 200. Há também os que dispensam o chocolate e preferem gastar com outros itens: 33% preferem outros tipos de alimento, 9% fazem compras não especificadas, 5% optam por viagens, 2% gastam com lazer e 1% prefere brinquedos. Para Álvaro Furtado, presidente do Sincovaga, sindicato que reúne cerca de 40 mil supermercadistas paulistas, a Páscoa de 2015 deve ser modesta.

“Com a inflação, o endividamento das famílias e as incertezas econômicas, os consumidores devem limitar seus gastos e comprar apenas os itens mínimos”, afirma. “Os produtos mais caros vão ficar nas prateleiras.” O peixe está salgado A procura pelo bacalhau, um dos pratos típicos da Semana Santa, caiu cerca de 30% neste ano, segundo o Rei do Bacalhau, uma das lojas mais tradicionais do Mercado Municipal de São Paulo. “A alta do dólar provocou um aumento de cerca de 40% nos preços, assustando os consumidores”, diz Flávio Gomes de Oliveira, gerente da loja.

Para enfrentar o consumidor mais retraído, o Rei do Bacalhau importou neste ano meia tonelada do peixe ou 50% menos do que no ano passado. Nesta semana, a loja comercializou 200 quilos e espera até o final desta semana vender mais 300. Nesta mesma época do ano, em 2014, o Rei do Bacalhau,
segundo ele, já havia vendido três vezes mais.

“A loja está movimentada, só que, quem comprava dez quilos, agora leva Flávio de Oliveira: procura pelo bacalhau caiu 30%, mesmo o preço estando estável cinco. Quem comprava dois quilos, agora leva um quilo”, diz. No ano passado, o Rei do Bacalhau vendia a R$ 39 o quilo do filé de bacalhau. Hoje, vendea R$ 58. O preço do miolo de bacalhau já subiu de R$ 95 para R$ 130 o quilo. “O pessoal está agora preferindo as lascas de bacalhau, que custam R$ 30 o quilo”.

Ovo de Páscoa paga 38,53% de impostos Os ovos de Páscoa que os brasileiros estarão consumindo este ano têm uma carga tributária de 38,53%. É o que revela a ACSP (Associação Comercial de São Paulo), em novo alerta sobre a quantidade de tributos embutida no preço final de cada produto ou serviço disponível para o consumidor.

A colomba pascal tem carga tributária similar: 38,68%. Quem optar por almoçar fora no domingo de Páscoa vai desembolsar 32,31% em impostos. Já quem decidir cozinhar um bacalhau importado pagará 43,78% de carga. O coelho de pelúcia para as crianças, os bombons e o vinho têm cargas de 29,92%, 37,61% e 54,73%, respectivamente.

“Praticamente todos os produtos de consumo têm tributação muito elevada, com exceção de alguns itens da cesta básica. E a tributação é ainda maior nos produtos importados e naqueles considerados supérfluos”, afirma Rogério Amato, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de SP).

A ACSP mantém, desde 2005, o Impostômetro, na rua Boa Vista, Centro de São Paulo. O objetivo é conscientizar os brasileiros sobre a alta carga tributária e estimular que se cobrem os governos por serviços públicos de qualidade. O levantamento da carga tributária na Páscoa foi encomendado pela ACSP ao IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), cujos dados abastecem o Impostômetro.

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