Os Percalços da Indústria 4.0 no Amazonas

A chamada indústria 4.0 ou produção 4.0 teve seu conceito desenhado e apresentado em Hannover na Alemanha, em 2011. Uma feira com proporções intercontinentais, pois contou com cerca de 220 mil visitantes que percorreram os 26 pavilhões do Centro de Convenções, com seus cinco mil expositores de 75 países para discutir o futuro da manufatura e mostrar as próximas  tendências do setor. É hoje considerado o principal evento do mundo para a tecnologia industrial.

A princípio, podemos dizer que a indústria 4.0 é um ecossistema composto por máquinas modernas que consegue produzir mais rápido e em maior quantidade que dezenas de operários. Mas não só isso, utiliza recursos com mais produtividade e eficiência. O uso de sistemas físicos cibernéticos, abre um campo novo, de muitas oportunidades onde o mundo físico das indústrias se confunde com o mundo virtual através dos instrumentos da Internet das Coisas, Big Data, robôs colaborativos, sensores, cloud computing, comunicação máquina a máquina e impressão 3D, entre outros conceitos que não param de chegar e vão afetar direta ou indiretamente o chão de fábrica.

Tudo isso está acontecendo neste momento e indubitavelmente nos colocará em uma   jornada sem retorno e de forma escalonável.

Posso aqui afirmar, que este novo parque tecnológico que agrega o físico com o cibernético trará grandes transformações para a produção que afetarão o comércio, negócios, educação e a vida das pessoas e do país.

Alguns Percalços

No setor energético por exemplo, o Brasil é ineficiente na geração e no consumo de energia elétrica. O estudo é da American Council for an Energy-Efficient Economy (Conselho Americano para uma Economia Eficiente em Energia), que avalia as políticas públicas e as práticas empresariais de gestão de energia dos maiores países consumidores. Nesse ranking, o Brasil ocupa apenas a vigésima posição entre as 25 existentes. O que chamou a atenção foi a diferença de investimento em eficiência energética. Enquanto a Alemanha investe mais de US$ 2,5 bilhões por ano, o Brasil destina somente US$ 191 milhões. Corrobora para esta medíocre no ranking o desperdício de energia, pois de acordo com a ABESCO (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia), entre 2014 e 2016, o Brasil desperdiçou o equivalente a 1,4 vez a produção anual da usina hidrelétrica de Itaipu. É como se o país tivesse desprezado R$ 61,7 bilhões, já que essa energia não foi utilizada de forma produtiva.

Lembrando que o setor industrial é o maior protagonista deste processo, pois consome 40% da energia gerada no país. Os motores elétricos consomem 68% da energia elétrica das fábricas e, quando não eficientes, tornam-se os grandes vilões do desperdício.

Um outro grave percalço é o nosso processo burocrático é ardilosamente construído por meditações insanas que norteiam os bastidores políticos. A muito   tempo que este problema persiste aparentemente sem vontade política para ser resolvido. Posso arriscar a dizer que o excesso de burocracia contempla a própria corrupção oque deveria ser exatamente o contrário.

Agora, o maior dos percalços é aquele que poucos falam, mas é sem dúvida a base de tudo, a cultura e a educação.

Em ranking divulgado recentemente, o Brasil aparece em penúltima posição, entre 40 países pesquisados. A lista pertence à Pearson International e faz parte do projeto The Learning Curve (A curva do aprendizado, em inglês). O ranking é elaborado a partir dos resultados de três testes internacionais, aplicados a alunos do 5º ao 9º ano do ensino fundamental.

Já a Unesco, braço de educação e cultura da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou em Nova Iorque um ranking com 127 países que mede o desempenho na educação, o Brasil ficou na 88ª posição.

Não consigo vislumbrar como um país que tem os indicadores da educação tão desprezíveis fará parte de todo este aparato tecnológico. Somos milhares de analfabetos digitais e alguns milhões de analfabetos que mal sabem assinar o próprio nome. 

Nossas escolas públicas não dão conta de abarcarem todos aqueles que necessitam e tem direito a educação, quiçá ofertar o acesso a laboratórios de informática e robótica. A leitura é promiscua e o livro não chega onde tem que chegar. Já as escolas particulares se preocupam um pouco mais em atender estas necessidades. Mas será que este desnível entre a educação a pública e a privada não será uma nova forma de discriminação? 

A verdade é que antes da Indústria 4.0 teríamos que estar navegando na educação 4.0 como um grande diferencial para todos.

*Luiz Claudio da Silva é educador corporativo, professor de ensino superior e especialista em capacitação empresarial profissional de Logística, RH e Gestão da Qualidade e especialista em Transporte Aéreo de Cargas Internacionais

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