Orçamento familiar apertou. E agora?

Como estão as contas da casa? A família consegue poupar, ou todo mês entra no cheque especial? O economista e coach do Sebrae-AM (Serviço Brasileiro de Apoio as Micros e Pequenas Empresas), Alex Moreira, destaca a necessidade de organizar quanto se gasta e alerta para que o consumidor assuma uma postura mais realista. “O momento não é de extravasar”, adianta o consultor.
De acordo com estudo divulgado recentemente pela Kantar World Panel Brasil, as despesas permanentes são as que mais comprometem o bolso dos brasileiros. Para a surpresa dos pesquisadores, as taxas que mais cresceram foram as que envolvem serviços públicos e impostos, representando 22% de aumento entre 2015 e 2016. “A crise econômica e todos os problemas enfrentados pelo país refletiram diretamente na relação do cidadão com o dinheiro. Tudo aumentou, menos os salários”, alfineta o especialista.
Aparecem no ranking de despesas, ainda, artigos de limpeza (12%), bebidas no lar (9%), alimentação no lar (9%) e lazer (7%). Segundo a contadora do Instituto no Brasil, Alessandra Félix Aguiar, a relação com a bebida e a comida em casa também representam uma mudança comportamental. “Com a queda financeira, muitas famílias têm preferido ficar em casa para economizar e isso reflete no aumento do consumo tanto de bebidas quanto de alimentos longe dos bares e restaurantes”, explica ela. De acordo com a pesquisa, mais de um milhão de lares deixaram de comer fora nos últimos anos.

Despesas fixas sob controle

O economista Marco Antônio Pereira diz que as despesas fixas, tais como supermercado, água, luz, telefone, condomínio, escola, plano de saúde, TV a cabo, internet, idealmente devem estar limitadas a 50% da renda. “Se estiver muito acima disso, é hora de repensar o padrão de vida para adaptar à realidade da renda”, aconselha ele.
Se a família estiver temporariamente endividada, é possível cortar despesas supérfluas para resolver esse desajuste temporário. Mas se os gastos fixos consomem a maior parte da renda mensal, é sinal que a família está vivendo acima do padrão de vida. Para que possa viver melhor, deve reduzir esses gastos e se organizar para poupar ao menos 10% da renda todo mês. “Isso deve ser uma decisão muito bem pensada, pois requer uma mudança estrutural, como mudar de casa ou trocar de escola”, afirma Pereira.

Como organizar o orçamento familiar em quatro passos

Para arrumar as contas da casa e começar a poupar para realizar os objetivos de vida, é preciso fazer o orçamento doméstico. O educador financeiro e membro da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), Paulo Carvalho, aconselha a família a se reunir e seguir esses quatro passos:

Fazer um diagnóstico financeiro

Todos os gastos devem ser anotados minuciosamente para que a família possa saber quanto entra de renda e para onde está indo dinheiro. Carvalho sugere que durante um mês toda e qualquer despesa deva ser anotada minuciosamente para fazer esse diagnóstico real.

Reduzir os gastos desnecessários

Segundo o educador, logo após a análise do orçamento doméstico quase sempre a família percebe que é possível reduzir de 20% a 30% dos gastos. Trocar de plano de celular ou de pacote de TV a cabo são alguns dos exemplos.
Carvalho diz que, num primeiro momento, o cafezinho de todo dia ou a pizza da semana podem parecer inofensivos, mas são nos pequenos gastos que se comentem os excessos: o banho demorado, a luz do abajur, a taxa de conveniência na hora de comprar o ingresso para o cinema pela internet. “Você precisa mesmo disso para viver, todos os dias? Com o tempo a pessoa percebe que são esses pequenos hábitos que podem estar obstruindo a busca por dinheiro”, garante o especialista.

Fazer um projeto de vida de curto, médio e longo prazos
Trocar de carro, fazer uma viagem, comprar a casa própria, planejar a aposentadoria. Faça as contas de quanto vai custar cada um desses projetos e quanto tempo irá demorar para realizar cada um deles.
Assim que realizar um destes sonhos, deve-se substituí-lo por outro objetivo. E, muito importante: não use todo o dinheiro poupado para satisfazer desejos imediatos, que impedem a realização dos objetivos maiores.

Poupar para realizar os sonhos

A decisão de onde aplicar o dinheiro vai depender do prazo de cada objetivo:
Objetivos de curto prazo (até um ano): dinheiro deve ficar numa aplicação fácil de retirar, tal como o título do Tesouro Direto indexado à Selic;
Objetivos de médio prazo (um a 10 anos): dinheiro pode ser aplicado também no Tesouro Direto, CDBs, fundos de investimento;
Objetivos de longo prazo (acima de 10 anos): valores podem ser aplicados em títulos indexados à inflação do Tesouro Direto ou ainda numa previdência privada.

Números

Em 2015, 45% das famílias estavam com os gastos acima da renda. A tendência é que esse número aumente neste ano.

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