ONU prevê conflito por cereais nos países pobres

O diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), Jacques Diouf, se mostrou preocupado nesta quarta-feira com os “riscos de distúrbios sociais e políticos” nos países pobres por causa da alta dos preços dos cereais.

Ao ser consultado sobre o aumento dos preços do produto em um debate com deputados da zona euro em Bruxelas, Diouf disse que isso é resultado de uma “combinação de fatores”.

“Primeiro, as reservas de cereais estão em seus níveis mais baixos. A isto se somam os efeitos dos fatores climáticos”, destacou, citando a seca na Austrália, inundações na Ásia e furacões no Caribe.

“Mais além destes fatores, temos a crescente demanda de países emergentes com rendas maiores, como China e Índia, e temos também a transformação de produtos agrícolas em bioenergia, o que diminui as ofertas de produtos alimentícios no mercado internacional”, continuou.
“É o conjunto destes fatores o que explica a forte alta dos preços, que estão duplicando em alguns casos, e os riscos de distúrbios sociais e políticos nos países do Terceiro Mundo nos próximos meses ou anos”, disse Diouf.
O CIC (Conselho Internacional dos Cereais) em Londres revisou em baixa de 0,3% sua estimativa de produção mundial de cereais para 2007/08, que seria de 1,653 bilhão, um déficit de 17 milhões de toneladas em relação à demanda.

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