Foi preciso quase 20 anos para que o vinil desse a volta por cima

Evaldo Ferreira
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Um estudo recente mostra que a venda de vinis no mercado norte-americano cresceu impressionantes 33% entre 2012 e 2013. No Brasil, alguns nomes como Anelis Assumpção, Russo Passapusso, Pitty e Lenine, e os clássicos Jorge Ben e Noriel Vilela já estão integrando o grupo de artistas que vê no retorno do vinil, a garantia de um melhor produto, que nunca deveria ter sido retirado do mercado.
Em Manaus, principalmente por falta de aparelhos que toquem o vinil, as compras e vendas do bolachão existem, mais ainda tímidas. O advogado Alexandre Neves sempre gostou de ouvir músicas gravadas em vinil, mas adotou como hobby a compra e a venda de discos, numa extensão do unir o útil ao agradável.
“Meu pai, o também advogado Áureo Neves, tinha discos e mais discos em casa, desde Emilinha Borba, Lupicínio Rodrigues e Vinícius de Moraes a Alceu Valença, Gonzaguinha e Djavan, este último de quem nós dois somos fãs. Já conheci pessoalmente o Djavan e tenho até autógrafos dele”, contou.

Transição para o CD
Dos discos do pai, além de Djavan, Alexandre passou a ter suas próprias preferências, como Tim Maia, Legião Urbana, Adriana Calcanhoto e Michael Jackson, entre outros. “O que posso dizer é que cresci ouvindo música e quando ouve a transição do vinil para o CD, no início dos anos de 1990, eu ainda não tinha dez anos de idade, mas adotei a nova invenção, afinal era uma modernidade que todos queriam ter. Lembro que o vinil foi colocado na marginalidade. Passou-se a ter um preconceito contra o disco. Era um sinal de atraso tê-los em casa e muita gente os jogava fora. Era comum se encontrar discos nas lixeiras das residências”, recordou.
Foi preciso quase 20 anos para que o vinil desse a volta por cima e, com força, viesse mostrar que era o melhor. Melhor que o CD, que por sua vez é muito melhor que o MP3. Apesar da evidente melhor qualidade do som do vinil, só agora as pessoas se rendem a isso e exatamente quando esse boom começou, por volta de 2012, foi que Alexandre percebeu a mudança chegando por estas bandas.

Meu reino por uma agulha
“Em 2012 um amigo meu, lá de Recife, me falou que comercializava vinis, e que era um bom negócio, pois dava-se para comprar peças por alguns reais e vendê-las por R$ 100, ou mais”, recordou.
No ano seguinte, Alexandre começou a também comercializar discos aqui em Manaus. “Meu pai cuidou de um espólio e recebeu como pagamento muitas peças antigas de mobiliário, além de 400 vinis. Juntados aos mais de mil que ele já possuía, verificamos quais podiam ser vendidos, aí comecei com o negócio”, disse.
O interessante é que desde 2000, quando a agulha de seu aparelho quebrou, Alexandre e o pai não mais ouviram os vinis que possuíam. Somente em 2012 compraram um outra agulha no antiquário Império das Antiguidades. “Aí fiquei mais de um ano comercializando discos no sebo O Alienígena. Muita gente chegou a me dar discos e comprei outros de um amigo, de Recife. Na realidade, vendo discos para comprar outros discos. É que dependendo da peça que você conseguir por alguns reais, pode transformar isso em algumas centenas de reais, como o “Racional volume 1”, do Tim Maia, que eu vendi por R$ 400, e soube de alguém que pagou R$ 600, pelo volume 2”, explicou.

Vinil Manaus
Alexandre faz parte da Vinil Manaus, uma comunidade no Face que reúne cerca de 30 pessoas interessadas em comprar e vender vinis. “Garimpamos peças baratas que valham muito no mercado de colecionadores e com esse dinheiro conseguir outras peças raras para as nossas coleções”, entregou. Entre os mais procurados, e valiosos, rock internacional e rock nacional.
“Penso em ter um ponto fixo, uma loja, para vender discos mas, infelizmente, Manaus não está acompanhando esse retorno do vinil. Diferente de São Paulo, e outras grandes capitais, aqui é muito difícil de se conseguir boas peças. Temos que pedir tudo de fora e para piorar até agora não tem ninguém vendendo aparelhos de som”, reclamou.
“Uma parte expressiva dos nossos consumidores são jovens que cresceram em meio aos CDs e MP3s e apenas agora estão percebendo essa qualidade de áudio superior e a riqueza e profundidade presente nos discos”, falou Rodrigo de Andrade, idealizador e fundador do 180 Selo Fonográfico, em São Paulo. Prova de que o vinil veio pra ficar.

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