No Brasil, os debates políticos se assemelham cada vez mais ao “diálogo de surdos”. Nas redes sociais, nas rádios e tvs, até em jornais, parece que só vale o que cada um diz que é certo. E pronto. 

Eu me impressiono com pessoas de razoável conhecimento da política que defendem seus pontos de vista como “cruzados” de uma verdade absoluta. Ou tantas vezes, como apaixonados torcedores de futebol numa final de campeonato em que o time adversário seja um arquirrival.

Fico também apreensivo com argumentações de cunho moralista, empunhadas “a ferro e fogo” como espadas verbais  voltadas para “degolar” virtualmente os “adversários”, ao invés de contrapor seus argumentos.

Observe-se os dois tipos de populismo que mais se digladiam, o “lulista” e o “bolsonarista”. Não me atrevo a dizer que todos os defensores de Bolsonaro ou de Lula sejam populistas, mas seus líderes agem evidentemente como tal, um com pose de “mito” da direita e o outro como “paladino” da esquerda. E quem não adere automaticamente a um deles líderes é rotulado como inimigo, mesmo que não se comporte como tal. Parece que há interesse comum de que todos sejamos apoiadores de um dos dois, como se o Brasil não tivesse oportunidade de debater erros e acertos de ambos, menos ainda alternativas.

Observe-se o fenômeno dos populismos latino-americanos. Como o bolivariano de esquerda da Venezuela ou o de direita, de Fujimori, no Peru. A América Latina parece aprisionada num ciclo vicioso de “receitas prontas” que não dão certo, com raras exceções. A Argentina é um triste exemplo dos estragos que o populismo pode fazer a uma nação que já foi uma das mais prósperas do mundo! O peronismo argentino, um estranho híbrido “direitista-esquerdista”, oscilante ideologicamente, é marco histórico de uma decadência contínua desta nação antes tão promissora e que hoje vive de crise em crise, da “esquerda para a direita” e da “direita para a esquerda”.

Algo que não pode dar certo é fundamentar a política em mentiras. As chamadas “fake news” esvaziam o sentido essencial da democracia, que é o de garantir o livre convencimento das pessoas, a fim de que escolham entre as melhores opções. Se as premissas são falsas as pessoas serão induzidas a conclusões equivocadas. A realidade dos fatos é substituída por “simulacros”. Disfarces que enganam até cidadãos de boa-fé, convencidos por argumentos falsos que lhes levam a conclusões erradas e perigosas.

Quem acha normal que uma mentira se torne verdade depois de repetida muitas vezes, pode se assumir como “neonazista”. Porque esta foi a tática de Goebells que o regime hitlerista adotou e praticou na sua propaganda de massa e contribuiu decisivamente para a II Guerra Mundial, com tantos sofrimentos e que acabou por levar a própria Alemanha à derrota e à aniquilação. Não muito diferente, Stalin aperfeiçoou a mesma lógica, na difamação pública e sistemática dos adversários – reais ou imaginários- enquanto construía o falso socialismo da Cortina de Ferro. Neste aspecto, nazistas, fascistas e comunistas se assemelham. Hitler e Mussolini trabalharam intensamente a mitologia de fortes guerreiros contra os “inimigos da nação”. Lenin e, principalmente Stalin também agiram assim, embora com rotulagens diferentes.

Acredito que seja fundamental defender a liberdade. Deus nos concedeu o livre arbítrio e penso que devemos ser capazes de exercê-lo também no campo político. Se desejamos melhorar a democracia precisamos escolher nossos representantes conscienciosamente, visando o bem da coletividade e não apenas os interesses individuais. A verdadeira Política deve ser instrumento para o Bem Comum e não uma Arena de Mentiras e de Horrores.

Reconheço que muita coisa precisa ser mudada para melhorar nosso país, principalmente na estrutura do Estado Brasileiro. E que há teses e propostas interessantes tanto na esquerda quanto na direita, ou no centro de ambas.

Mas para que ocorram transformações verdadeiras é necessário resgatar o respeito ao valor da verdade. Isso tem a ver com o resgate da honradez, com a honestidade e a lealdade aos princípios e valores éticos.

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