O cristianismo e o poder

Há um movimento sócio-religioso-político que tem crescido no Brasil, nos últimos tempos, e que suscita as maiores preocupações. É o fato de alguns dirigentes religiosos desenvolverem estratégias para tomar o poder.
Durante muitos anos aconteceu apenas em pequena escala, a nível local, mas agora passou a um nível mais elevado – estadual e federal – e sempre com o pretexto de combater determinados setores da sociedade, como os homossexuais, por exemplo, que são considerados inimigos da fé, por alguns… Ou então com a bandeira de favorecer as suas comunidades religiosas. Nenhum dos argumentos convence, nem pela via do bom senso, nem das Escrituras, seja em termos de doutrina ou de teologia das missões.
A Igreja não é chamada para zurzir nenhum setor social. Também não foi chamada para tomar o poder e usá-lo depois no favorecimento de qualquer setor, religioso ou não. A Igreja foi chamada para apresentar as boas novas de salvação e discipular os que crerem e aceitarem o Evangelho.
Segundo a lógica dos que defendem uma intervenção dos líderes religiosos na política, Jesus Cristo deveria então ter “concorrido” ao sinédrio, inserir-se de alguma forma na classe sacerdotal, fazer parte da liderança religiosa judaica e da elite do Templo, que era de natureza político-religiosa. Mas o seu exemplo é radicalmente outro.
Numa sociedade moderna os cristãos podem e devem servir a comunidade nas mais diversas áreas de intervenção, incluindo a política, em qualquer nível, a começar no poder local, desde que tenham preparação e vocação para tal. Mas nunca os ministros do Evangelho. Esses têm tarefas mais importantes a desempenhar.
Adriano Moreira dizia há dias que o cristianismo distingue-se de outras fés abraâmicas por uma coisa (entre outras). Jesus clarificou a responsabilidade dos homens perante Deus (reino espiritual) e perante César (reino temporal). Mostrou assim que os dois não devem ser misturados e muito menos confundidos. E os últimos dois mil anos de História confirmam exatamente tal proposição. Por vezes foi a Igreja que tentou controlar o poder político, outras vezes foi este que procurou controlar a Igreja. Acabaram por perder ambos.
A História ensina-nos grandes lições.

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