Tombo de dois dígitos no setor comercial em março, segundo o IBGE

A crise do Covid-19 interrompeu uma sequência de crescimentos acima da média nacional no volume de vendas e receita nominal do comércio varejista do Amazonas, em março, levando o setor a um tombo de dois dígitos. Segmentos dependentes de crédito, como veículos e material de construção, contudo, subiram sem o mesmo vigor. Os dados são da pesquisa mensal do IBGE para o setor, divulgada nesta quarta (13). 

Depois de avançar 3,5% na passagem de janeiro para fevereiro, o varejo amazonense viu suas vendas desabarem 16,5% na virada para março, mês marcado pelo começo das medidas governamentais de isolamento social. Em relação ao mesmo mês de 2019, a retração foi de 5,6% – contra os +13,6% anteriores. Os acumulados do ano (+6%) e de 12 meses (+9,8%) sofreram erosão, mas permaneceram em terreno positivo. 

O recuo mensal das vendas fez o Estado despencar do segundo para o penúltimo lugar no ranking de desempenho das 27 unidades federativas do Brasil, com resultado bem abaixo da média nacional (-2,5%). Ganhou de Rondônia (-23,2%), mas perdeu do Acre (-15,7%). Em sentido contrário, São Paulo (+0,7%) encabeçou a lista, com o único resultado positivo. Foi seguido por Paraná (-1,1%) e Mato Grosso do Sul e Minas Gerais (ambos empatados com -2,1%). 

A receita nominal do setor – que não considera a inflação do período – retrocedeu 14,9% entre fevereiro e março, ficando bem abaixo da marca da sondagem anterior (+2,8%). No confronto com março de 2019, o varejo do Amazonas, por outro lado, conseguir subir 1,5%. O saldo foi positivo também para o trimestre (+13,7%) e o acumulado de 12 meses (+14,2%). 

A receita nominal registrada na passagem de fevereiro e março fez o Amazonas cair da terceira para a penúltima colocação, em um patamar bem aquém da média nacional (+3,3%). O Estado só ficou à frente de Rondônia (-21,1%), logo abaixo do Acre (-14,6%). Na outra ponta, São Paulo (+0,9%), Paraná (-0,4%), Espírito Santo (-0,9%) e Minas Gerais (os dois com -1,2%) tiveram os melhores resultados.

Veículos e construção

O varejo ampliado do Amazonas – que inclui veículos e suas partes e peças, bem como material de construção – teve desempenho comparativamente melhor. A queda nas vendas foi de 15,8% em relação a fevereiro de 2020 e de 7% no confronto com março de 2019, tendo acumulado altas de 3,9% no trimestre e de 6,7% em 12 meses. As médias nacionais foram -13,7%, -6,3%, zero e +3,3%, respectivamente.

Já a receita nominal do varejo ampliado caiu 14,2% em relação a fevereiro de 2020 e 1,9% ante março de 2019. No trimestre, houve aumento de 9,3% e em 12 meses, de 10,7%. O varejo amazonense superou o nacional praticamente todas as comparações, neste cenário. Os respectivos números brasileiros foram -12%, -2,8%, +3,3% e +5,9%, no período.

Efeito quarentena

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques lembra que o comércio foi a atividade econômica do Amazonas que primeiro refletiu e sentiu os impactos as políticas de isolamento. “A consequência foi essa acentuada queda. Os outros setores ainda puderam prosseguir um pouco depois da decretação, enquanto o varejo teve que fechar suas portas. Muitas empresas alegaram ao IBGE que o fraco desempenho teve esta como consequência principal”, frisou.

Na mesma linha, o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, disse ao Jornal do Commercio que os resultados da atividade local captados pelo IBGE não surpreendem os empresários e tendem a ficar piores, mantidas as atuais condições. 

“Os números ainda são relativos e ainda não refletem a totalidade da crise do setor. Temos que encontrar uma solução de convergência, que una os cuidados necessários para a garantia da saúde e da vida de clientes e colaboradores por um lado, e a manutenção do funcionamento das lojas, com todos os cuidados necessários, por outro. Infelizmente, isso ainda não está sendo possível”, encerrou. 

Fonte: Marco Dassori

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