Novas ideias na venda de cestas básicas

Uma das principais características de um empreendedor é a sua capacidade de sempre acreditar que é possível realizar um sonho ou atingir uma meta, mesmo quando os obstáculos parecem intransponíveis. Foi assim com o maranhense Antonio Edilson Alves de Morais, que veio para Manaus em 1990, conforme o dito popular, ‘com uma mão na frente e a outra atrás’, buscando a ‘Terra Prometida’ onde, segundo Morais, se ganha dinheiro fácil. “No Maranhão nem dinheiro tem”, contou.

Após passar por vários empregos, um deles como prestanista (mascate que vende mercadorias de porta em porta), Morais teve um lampejo. “Foram três anos como prestanista, até que pensei: a pessoa que compra uma panela, um lençol, uma rede, vai demorar pra comprar o mesmo produto novamente, então, porque não vender algo que ela compre sempre, no caso, alimentos?”, revelou.

Com a ajuda da mãe, Edilson montou uma cesta básica e durante quatro anos, de 1995 a 1998, vendeu esse produto em domicílio. “Ninguém fazia isso em Manaus. Vendia bem, mas aí veio a crise econômica no governo FHC. Muitos clientes me deram calote e eu ‘quebrei’ com uma dívida de mais de R$ 300 mil”, lamentou.

Assim Morais teve que voltar a ser empregado. De 2000 a 2010 passou por três distribuidoras de alimentos, em todas gerenciando a venda de cestas básicas. “Na primeira, em 2000, vendia 600 cestas/mês. Quando saí, em 2002, a empresa vendia 10 mil cestas/mês. Na segunda, em 2002, a média de vendas era de 10 mil cestas/mês. Em 2006, saltou para 60 mil cestas/mês. Na terceira e última entrei em 2006 e a distribuidora vendia mil cestas/mês. Quatro anos depois eram 20 mil cestas vendidas ao mês”, listou.

Os números alcançados sob a gerência de Morais tiveram um efeito diferente do esperado. “A questão é que em todas elas, os patrões, com o tempo, começavam a cercear o meu trabalho tipo, ‘agora eu já sei como proceder, não preciso mais dele’, e ficava difícil trabalhar”, lamenta. “Um dia, em dezembro de 2010, estava num retiro evangélico, orando de olhos fechados, quando ouvi uma voz dizendo que em janeiro do ano seguinte eu teria minha própria distribuidora de cestas. Só então lembrei que, desde 1995, eu tinha uma empresa aberta, a Nutricestas, e que apenas não estava funcionando”, lembra o empreendedor.

A Nutricestas foi reativada e passou a fucnionar na casa de Edilson. “A primeira venda, ainda em janeiro de 2011, foi de cinco cestas. Investi um capital de R$ 50 mil, que emprestara no banco, e em julho já movimentava R$ 400 mil”, garantiu. “Durante três anos vi o faturamento da minha empresa aumentar mês a mês e cheguei a ter 65 funcionários, empacotando produtos e fazendo entregas. Várias vezes tive que alugar carros dos vizinhos para dar conta de atender aos pedidos, até comprar um caminhão”, disse.
Após um período de ascensão, Morais é atingido por mais um golpe, quando antigos funcionários resolveram montar uma distribuidora própria. “Começaram a falar mal da minha empresa para os meus clientes. Chegaram a levar fotos de ratos andando sobre os meus produtos. De um mês para o outro, meu faturamento de R$ l milhão, caiu para R$ 100 mil. Quebrei novamente e dessa vez foi pior porque fui traído por pessoas que trabalhavam comigo, em quem eu confiava. Mas eu não podia parar. Durante os anos de 2015 e 2016 fiquei ‘matutando’ ideias para, novamente, sair do buraco”, lembrou. No final de 2016, finalmente Edilson teve uma ideia, sempre com os alimentos na linha de frente. “Iria utilizar o marketing multinível que é premiar o cliente quanto mais vezes ele comprar com você. Num supermercado você não ganha nada para comprar, gasta tempo, gasolina e pronto. Nesse método que adaptei, o cliente pode escolher entre quatro tipos de cestas (bronze, prata, ouro e diamante).

Entregamos os produtos em domicílio sem cobrar taxa, e a cada novo cliente que ele consegue fidelizar para a Nutricestas, ganha descontos sobre a compra desse cliente. Quanto mais clientes, mais descontos, e toda essa movimentação pode ser acompanhada pela internet”, explicou. “Também para cada cesta o cliente ganha pontos, de 1 a 4, e pode começar a ganhar prêmios a partir dos 200 pontos (tablet ou smartphone) até 250 mil pontos (Ranger Rover)”, completou. Mais uma vez o maranhense que não se abate diante das dificuldades, comemora o sucesso nos negócios. “Começamos com três clientes cadastrados, hoje são 400. Segredo para o sucesso? Não parar diante das barreiras que surgem. Sempre procurar um caminho alternativo. Eles existem. Eu posso falar com toda a certeza”, ensinou. “A próxima ideia é o cliente ganhar bônus, os futuristas bitcoins, pelas compras que fizer na Nutricestas e depois poder trocá-los por mercadorias em outros mercadinhos. Deve ser lançada no início do próximo ano”, adiantou Morais.

Veia de comerciante
Ao chegar a Manaus em 1990, o primeiro emprego de Edilson foi carregando fardos de arroz, feijão e farinha, numa distribuidora, “mas o trabalho era muito e o dinheiro, pouco, então fiquei lá só um mês”, lembrou. Logo ele estava trabalhando como vendedor numa loja de roupas na rua Marechal Deodoro. “Não queriam me dar o emprego porque eu não tinha experiência, então eu disse ao gerente que trabalhava um dia inteiro para mostrar o meu trabalho. Se ele não gostasse, podia me mandar embora sem pagar nada. No dia seguinte estava lá, e fiz fila com tantos clientes que atendia. Fiquei dois anos e resolvi voltar ao Maranhão para trazer minha família pra cá”, falou.

De volta a Manaus, Edilson foi ser prestanista. “Andava pelas ruas carregando lençol, colcha, rede, panela, cadeira. Não tinha negócio de carrinho, não. Ia de ônibus.

Pedia pras pessoas comprarem algo pro peso ir diminuindo ao longo do dia”, recordou. E foi nessa ocupação que Morais teve o stratr para seu grande negócio.

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