Navios oferecem oportunidade de diversão e emprego em alto-mar

Viajar a bordo de um transatlântico não é mais considerado um passeio para um público privilegiado. De olho em aspectos como a estabilidade da moeda e o aumento do poder a­quisitivo da classe média, as operadoras investiram no turismo brasileiro e têm trazido para o país cada vez mais e maiores navios.
Há dez temporadas, por exemplo, o Terminal ­Marítimo de Passageiros do Concais, no Porto de Santos, recebia oito navios. Com preços mais aces­síveis e maior facili­dade de pagamento, a temporada 2007/2008 terá o número recorde de 18 transatlânticos e 200 escalas, com a previsão de 524 mil passageiros, ­contra 94 mil da primeira, em 98/99.
Maior navio da atual temporada brasileira oferece 13 andares de entretenimento. São vários os motivos que fazem turistas optar por este tipo de passeio. A começar pela idéia de estar num resort flutuante, onde não há economia de entretenimento e comida, e ainda poder apreciar uma paisagem única: o mar.
Para se ter uma idéia, o Costa Magica, maior navio da atual temporada com 13 andares e capacidade para 3.470 passageiros, oferece quatro restaurantes, 11 bares, quatro piscinas, seis jacuzzis, tobogã, pista de jogging externa, teatro de três andares, shopping center, academia, spa, cassino e discoteca.

Empregos
temporários

Em alto-mar, há di­versão para os passageiros e oportunidade de ­trabalho para os jovens. No Costa Magica, cerca de 150 brasileiros se misturam à tripulação de italianos, filipinos, indianos e ingleses.
O funcionamento do navio está nas mãos de 1.027 tripulantes, que trabalham, no mínimo, 11 horas diá­rias. Há setores em que a rotina chega a atingir 14 horas. Um esforço que faz muitas pessoas abandonarem o trabalho antes do término do contrato.

Pressão psicológica dos chefes e ausência da família são as maiores difuculdades

“Tem que ter força de vontade. Muitos brasileiros desistem. A pressão psicológica dos chefes é enorme. É quase um sistema militar”, afirmou a garçonete de bar, Marcela Negretti, 25, pós-graduada em hotelaria.
Os brasileiros que ­con­seguem se adaptar à ro­tina árdua acabam fa­zen­do sucesso entre os de­mais tripulantes. A alegria e a facilidade de comunicação melhoram o ambiente de trabalho. A convivência com outras nacionalidades fez com que a itatibense Marcela aprendesse outras línguas, principalmente o italiano.
“O que me surpreendeu aqui foram os sentimentos. As emoções são muito mais intensas. Tudo é superlativo. Tem dia que você está superbem, outros, pés­sima. A ausência da família é enorme.”
Nem sempre ter alguém da família por perto significa aliviar a solidão. A estudante de ciências contábeis Ana Flávia Aguida, 25, é a única faxineira mulher a bordo do Costa Magica. Ela deixou os estudos em Florianópolis, casou-se e resolveu embarcar com o marido, também faxineiro do navio.
Dormindo em quartos separados, o casal recebeu um presente da chefia, após seis meses de casamento. “Ganhamos a primeira folga juntos. Pudemos matar a saudade, finalmente.”

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