Líder palestino diz que paz depende do fim do bloqueio à Gaza

Em reunião realizada esta semana em Ramallah, na Cisjordânia, o líder palestino Mahmoud Abbas disse ao enviado dos EUA ao Oriente Médio, George Mitchell, que o processo de paz depende da interrupção da expansão dos assentamentos israelenses em Jerusalém Oriental e do levantamento total do bloqueio à faixa de Gaza.
Ao receber Mitchell na Cisjordânia, Abbas “considerou necessário que prossigam os esforços dos Estados Unidos e também da comunidade internacional para se ponha um fim ao bloqueio a Gaza”, informou o porta-voz do presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Nabil Abu Rudeina.
O enviado americano também se encontrou com Saeb Erekat, chefe das negociações de paz palestino. “O presidente palestino [Mahmoud Abbas] explicou a Mitchell o risco que representa a continuação das construções de colônias judaicas em Jerusalém”, disse Erekat após o encontro.
O chefe de negociações apontou ainda que até o presente momento não houve avanço significativo nas negociações indiretas de paz desde que os esforços foram retomados no mês de março.
Além da expansão dos assentamentos em Jerusalém Oriental, que já em março foram motivo de controvérsia entre Israel e os EUA, as recentes operações militares de Israel congelaram o andamento do diálogo com os palestinos.
No dia 31 de maio a Marinha israelense matou nove ativistas que tentavam furar o bloqueio à faixa de Gaza, abordo do navio turco “Mavi Marmara”, integrante da “Frota da Liberdade”. Dias depois o governo israelense interceptou o navio irlandês “Rachel Corrie”, deportando os tripulantes, que também tentavam entregar ajuda humanitária à Gaza.
Numa terceira operação, Israel matou quatro militantes palestinos que navegavam de Gaza rumo ao norte da costa israelense. Os quatro portavam roupas de mergulho e foram confirmados como membros dos braços armados do Hamas, movimento islâmico que controla a faixa de Gaza desde 2007.
Em meio à pressão internacional, Israel anunciou ontem uma flexibilização do bloqueio a Gaza, porém as restrições navais, de trânsito dos palestinos para fora do território e a maioria das proibições quanto à exportação e entrada de materiais foram mantidas.
Abbas disse a Mitchell que o bloqueio configura uma “sanção coletiva” do governo de Israel contra os palestinos, e que o levantamento das restrições favoreceria o progresso das negociações indiretas.
De acordo com o chefe de negociações, Saeb Erekat, a posição palestina é de que uma flexibilização do bloqueio não é suficiente.
“Ou há bloqueio ou não há. Não aceitamos medidas médias e portanto exigimos o final completo do bloqueio”, disse.
Mitchell destacou que a necessidade de que as partes envolvidas no processo de paz “exercitem a contenção” e se abstenham de “confrontações”, reiterando a esperança de que o atual modelo de diálogo leve às conversações diretas entre israelenses e palestinos, com o objetivo de alcançar um acordo de paz.

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