Kiñapira – Delícias Amazônicas

Uma iguaria indígena para poucos. Essa é a kiñapira (ou quinhampira, ou ainda quinhapira), espécie de sopa de peixe preparada pelos baniwa e tucano do alto rio Negro à base de muita pimenta. E kiñapira significa exatamente peixe com pimenta.
Como agora está em alta utilizar nomes amazônicos em restaurantes, assim surgiu o Kiñapira, delícias amazônicas, no Amazonas Shopping, há pouco mais de um mês. E o cliente pode provar desse prato típico e apreciado pelos nossos indígenas, porém, não tão apimentado. “Assim como têm pessoas que apreciam uma boa pimenta, existem outras que não suportam, então, sem carregar muito no ardor, criamos o prato que tem a ver com o nome do restaurante e é bem amazônico”, explicou Mansur Seffair, um dos proprietários do Kiñapira junto com os primos Marcelo, Luigi e Mauro.
O prato é constituído pelo peixe (pirarucu) cozido no molho de tucupi, ervas amazônicas e pimenta Murupi, acompanhado de arroz branco (R$ 25,). A título de curiosidade, a kiñapira dos baniwa e tucano leva mais de dez tipos diferentes de pimentas especialmente cultivadas por eles, secadas, piladas até virar pó e depois adicionadas na sopa. Realmente não é para qualquer paladar.
Mansur se formou chef em 2013, aqui mesmo em Manaus e, desde então, sonhou ter seu próprio restaurante. Se juntou com os primos e abriu o Kiñapira. “Pelo espaço que temos aqui, nos caracterizamos mais como um bistrô, mas estão em nossos planos futuros, abrir um restaurante especializado em gastronomia de primeira linha. Hoje, aqui, não somos uma peixaria. Quando se fala em gastronomia amazônica, as pessoas pensam logo em peixaria, mas temos um sem número de outros produtos que, além dos peixes, agregam sabor aos nossos pratos como o tucumã, o açaí, o cupuaçu, a castanha, as bananas, o jambu, o tucupi, a macaxeira, o queijo coalho…”, listou.

Culinária francesa e amazônica

Mas, peixaria ou não, fato é que os peixes fazem parte da cultura alimentar do amazonense e não podem faltar no cardápio dos restaurantes, e mais, geralmente como os carros-chefes na preferência dos clientes. No Kiñapira quem leva esse título é o Pirarucu de Casaca à moda do chef (pirarucu seco, com castanha da Amazônia e cheiro verde acompanhado de arroz branco e farofa de banana, R$ 30).
“Temos também, como um dos mais solicitados, uma releitura à francesa do famoso Pato no Tucupi paraense. É o Magret de Pato com Velouté de Tucupi -filé de peito de pato, levemente grelhado, acompanhado de arroz de jambu ao molho de tucupi aveludado, R$ 39 -. Minha ideia é mesclar a fina culinária francesa com a culinária amazônica e garanto que o resultado é dos melhores”.
Mansur assina todo o cardápio do Kiñapira e, entre suas criações que fazem sucesso está a Coxinha de Pato com massa de jerimum (R$ 8), os Chips de Mandioca (R$ 15), a Geleia de Cupuaçu apimentada (R$ 10), o Pastel de Pato frito (8 unidades, R$ 18), o Quibe de Tambaqui (8 unidades, R$ 18), o Petit Gateau de açaí com sorvete de tapioca (R$ 17), entre outros quitutes. “Temos que testar sempre, para apresentar novos paladares e sabores aos clientes”, ensinou.
No item carne vermelha, o corte da carne utilizada no Steak Amazônico com molho chutney de açaí foi elaborado pelo frigorífico especialmente para o Kiñapira. Trata-se de um corte nobre bovino guarnecido com molho chutney de açaí, acompanhado de arroz branco e chips de mandioca, R$ 36. “Por isso nosso slogan é ‘delícias amazônicas’, o sabor que você já conhece, porém, de um jeito que nunca provou”.
O Kiñapira está localizado no primeiro piso do Amazonas Shopping, na subida do estacionamento vip. Não fica em nenhuma praça de alimentação e seus 84 lugares são exclusivos. Funciona diariamente no horário do shopping, das 10h às 22h. Nos domingos e feriados, das 12h às 21h.

Sucesso nos eventos religiosos

Alto rio Negro. 23 povos indígenas diferentes e iguais no modo de viver e de pensar moram ali. A primeira coisa que se nota nesses povos é a hospitalidade. Em quase todas as comunidades da região, onde vivem, os indígenas recebem os visitantes que chegam, sejam eles convidados ou não, isso não faz diferença, com chibé (farinha e água na panela) e quinhapira. Faz parte da cultura milenar desses povos.
Entrando no Içana, afluente do Negro, ao longo de suas margens, estão lá as comunidades onde vivem os baniwa, que tem a pimenta como principal ingrediente dos seus pratos, e esta não pode faltar. Desde os tempos antigos a pimenta vem sendo usada como purificador de alimentos pelos wakoenai, uma autodenominação deste povo. A produção das pimentas é quase exclusiva das mulheres. Plantam, colhem e fazem o processamento. Existem diversas espécies de pimenta, a mais conhecida é a jiquitaia, uma mistura de vários tipos de pimenta em pó com sal.
Com peixe ou sem peixe, a quinhapira é oferecida na hora do mingau, e combina bem. É um prato com pimentas verdes cozidas com peixe. No Içana, os pratos de quinhapira fazem muito sucesso nos eventos religiosos, como a Santa Ceia e as Conferências.

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