4 de março de 2021

Indústria da construção aposta no cenário favorável para crescer

Depois de contabilizar dois anos seguidos de crescimento tímido, o Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas) projeta alta de 15% nas atividades do setor para 2019, em relação ao exercício do passado. As construtoras concentram as apostas principalmente no segmento imobiliário residencial, de onde vieram os melhores resultados de 2018.  

O presidente da entidade, Frank Souza justifica o otimismo ao elencar sondagens que apontam maior disposição do brasileiro de se endividar em períodos mais longos para adquirir bens duráveis. Um deles é o Índice de Confiança do Consumidor que emplacou a melhor marca desde 2012 em novembro: 60,2 pontos. Pontuações acima de 50 no indicador da CNI (Confederação Nacional da Indústria) são positivas.

Outra vem das próprias construtoras. O dirigente salienta que o banco de dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) mostra que, na comparação entre 2017 e 2018, o setor avançou 30% no número de financiamentos para aquisição de imóveis, e outros 27,3% na quantidade de unidades construídas.

“Ha fatores que indicam que 2019 será um bom ano. O governo federal entende que terá que reduzir a burocracia e o tamanho do Estado, assim como aumentar a segurança jurídica, resolver problemas ambientais e realizar as reformas Tributária e da Previdência. São fatores que vão gerar maior celeridade nas aprovações e maior investimento em obras”, afiançou.

De acordo com o presidente do Sinduscon/AM, a construção civil amazonense encerrou um ano de “crescimento moderado” em 2018, com “pequena sazonalidade em dezembro”. No segmento imobiliário, houve expansão de 10% em relação a 2017. O destaque veio dos imóveis de padrão econômico, que amealhou 80% do desempenho, graças às obras do Minha Casa, Minha Vida. O total de lançamentos pelo programa federal foi de seis empreendimentos no ano passado – contra quatro, em 2017.

Os números só não foram melhores para as construtoras, observa Frank Souza, em virtude das mudanças de gestão no governo estadual nos últimos dois anos, período em que os eleitores foram chamados às urnas duas vezes. A consequência foi a descontinuidade de obras públicas e a redução de investimentos, mas a entidade está otimista também em relação a esse segmento de trabalho. “É uma frente que o Sinduscon/AM pretende acompanhar de perto em 2019”, adiantou.

Momento favorável

O diretor presidente da RD Engenharia, Romero Reis, informa que a empresa espera crescer mais de 20% neste ano, alavancada pelas atividades de construção e incorporação imobiliária e um “plano ousado” de lançamentos. A ideia é lançar pelo menos cinco empreendimentos em 2019. No ano anterior, a construtora lançou dois (nas Zonas Leste e Centro-Sul de Manaus) e cresceu 15%.

O dirigente, que também é vice-presidente do Codese Manaus (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Manaus), observa que Manaus tem potencial para render R$ 2 bilhões em atividades ao ano, mas rodou na metade desse patamar entre 2017 e 2018. Considera, contudo, que o momento atual é favorável à confiança e ao retorno de investimentos, emprego e renda necessários para alavancar a economia brasileira no triênio 2019-2021.

“A RD vem se posicionando no mercado, enxugando custos e aumentando a produtividade. Em 2019, vamos trabalhar nas faixas 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida, com imóveis de R$ 190 mil, em média. Mas, vamos atuar também acima dessa faixa, com produtos de R$ 300 mil ou mais, bem localizados e com tabelas personalizadas”, explanou.

Potencial de mercado

O potencial de mercado de Manaus vem atraindo novas empresas do setor, a despeito da crise econômica dos últimos anos. Uma delas é a MRV Engenharia, que aportou na capital em março de 2018. Cinco meses depois, a construtora já lançou dois empreendimentos, com 300 unidades cada. Um já está com quase 95% das unidades vendidas e o outro, com mais de 30%.

A empresa trabalha com unidades habitacionais de padrão econômico, situadas na região da Ponta Negra, na zona oeste, e destinadas à clientela que ganha de três a seis salários mínimos. Para 2019, a previsão é colocar mais três empreendimentos na praça, com um total de 880 unidades.

“Somos uma empresa com 40 anos de atuação e presença em praticamente todo o território nacional. Fomos atraídos a Manaus ao verificar o déficit habitacional e seu mercado promissor. E só não viemos antes, porque ainda não tínhamos um projeto adequado”, concluiu o gestor regional da construtora, Fernando Fortes.

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