Incorporação vira rotina para franquias

O sistema de franchising e suas marcas estão presenciando um momento de fusões e incorporações. Recentemente, foi anunciada a compra da bandeira Skill, de ensino de idiomas, pela concorrente Wizard. Há dois anos, foi a vez de Qualittà Lavanderia e Quality Cleaners se fundirem, surgindo a marca Quality Lavanderia. E, há algumas semanas, a também rede de ensino de idiomas CNA adquiriu a operação das padarias Uno & Due. “Estas ações estão cada vez mais presentes no sistema de franchising”, disse Melitha Novoa Prado, consultora jurídica especializada em redes de franquias, negócios e varejo.

Melitha explicou que há duas maneiras de as empresas se tornarem juridicamente uma só. “A incorporação ocorre quando uma empresa ‘absorve’ outra e se torna sucessora da incorporada. Já a fusão ocorre quando as empresas existentes se extinguem para formar uma terceira sociedade, nova”, observou.

“Um movimento que não tem sido estranho ao sistema de franchising é a aliança de marcas fortes que possuem entre si algum tipo de sinergia. Estas alianças normalmente levam algum tempo para se concretizar e contemplam muito trabalho intelectual, culminando, via de regra, na constituição de uma nova empresa, as conhecidas holdings, que passam a ser as detentoras dos ativos mais importantes e visados nestas alianças: as marcas”, disse a advogada.

Foi assim que aconteceu quando a franqueadora de alimentação Spoleto adquiriu a operação da Domino’s Pizza no Brasil e, recentemente, quando o CNA comprou a operação da Uno & Due. “Neste caso, a holding contempla as duas marcas, mas elas operam individualmente. Quando há a fusão, empresas do mesmo segmento viram uma só marca, aumentando a atuação no mercado”, explicou. O caso de fusão foi adotado pela Quality Lavanderia, que fundiu a Quality Cleaners com a Qualittà Lavanderia.

Como fica a situação do franqueado

Segundo Melitha Prado, as fusões e incorporações são peculiares, sendo que a maior dificuldade reside na conjunção de diferentes culturas e filosofias de trabalho. “Nas incorporações, a tarefa é mais fácil, já que o dono continua sendo um só. Já nas fusões, este é um trabalho árduo, que requer habilidade, porque existem dois antigos donos que trazem, hipoteticamente, duas experiências diferentes e duas formas distintas de enxergar as coisas, por vezes antagônicas, mas que devem necessariamente culminar numa única decisão”, ensinou.
Para os franqueados, o maior desafio está na aceitação de um futuro que lhes é imposto, uma vez que a sua visão é restrita a sua própria unidade.

“Diferentemente de um acionista, o franqueado não pode simplesmente vender o seu negócio quando o franqueador decide se aliar com outra marca. As incertezas geram insegurança e perda de confiança no negócio. Obviamente, esta é apenas uma fase, que tende a ser ultrapassada em pouco tempo, caso seja bem administrada pelo novo grupo franqueador. O que presencio é que esta é uma fase que pode ser menos dolorosa e mais benéfica com a participação ativa dos franqueados. Isso é de extrema importância para assegurar a adesão da rede ao novo ambiente criado. A colaboração do Conselho de Franqueados passa a ser um grande diferencial para amenizar as eventuais resistências da rede de franquia”, mostrou a especialista.

Processo tem que ser transparente

A consultora jurídica orienta os franqueadores e donos das marcas a agirem com transparência em todo o processo. “Não pode haver sonegação de informações, e muito menos demonstração de desprezo ou falta de consideração com os parceiros da marca. Os franqueadores não podem violar ou desconsiderar as regras que regem o seu contrato de franquia. O contrato é o parâmetro da relação de franquia”, asseverou.

“Os franqueados devem avaliar a situação visando às oportunidades para crescimento do seu negócio franqueado, tendo em vista que a tendência atual é a união de marcas com sinergia de negócio. Qualquer atitude passional nesse momento deve ser evitada. As ra

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