Impulso é armadilha das dívidas

Cortar os gastos, negociar dívidas e pedir um empréstimo consignado são algumas dicas da economista do Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), Hessia Costilla, para quem está no vermelho e deseja sair do endividamento. “Planejamento é a melhor opção, então o ideal é que o consumidor não se deixe levar por impulso e evite fazer gastos desnecessários”, indica a especialista.
Ela explica que através do planejamento o consumidor terá dimensão do endividamento e o quanto será destinado a quitar. “Dívidas como a do cartão de crédito, que possuem juros muito altos, devem ser as primeiras”, informou Hessia, que aconselha o empréstimo consignado, que tem taxas de juros menores, como uma boa opção para sanar as pendências.
Para a funcionária pública Glaucia Patrícia, essa foi a solução para as dívidas acumuladas no início do ano, devido às despesas com material escolar, seguro do carro, impostos e as faturas dos cartões de crédito com a cobrança das compras realizadas durante as festas do final de ano. “Tinha virado uma bola de neve, foram quatro meses com dores de cabeça até que um colega, que estuda economia me indicou solicitar um empréstimo consignado para quitar tudo”, disse a consumidora, que até o final do ano estará pagando as parcelas. “Mas, em compensação só devo isso, compro o que tenho que comprar tudo à vista agora, é melhor”, comenta.
Já o jornalista Edvan Fleury vive constantemente no vermelho. “Porém, nos últimos seis meses estou usando menos os créditos e hoje minha dívida baixou muito. Agora evito ir a shopping e a comprar coisas não necessárias, os luxos ficam para depois”, afirma o consumidor.
Ele indica para quem estiver no vermelho pensar duas vezes antes de comprar algo que não seja necessário porque no final do mês isso vai pesar. “E também não se iluda com os valores baixos das milhares de parcelas, achando que cabe no orçamento, porque isso faz com que o consumidor demore demais para pagar aquele produto, não vale a pena”, aponta o jornalista.

Renda versus dívidas

Recente estudo realizado pela Proteste para mapear o endividamento e discutir como é composta a dívida das famílias no país constatou que com três dívidas ativas para pagar, as famílias brasileiras comprometem em média 42% de sua renda para quitar seus débitos. Um dos principais responsáveis por esse endividamento é o uso do cartão de crédito sem o pagamento integral da fatura do mês -principalmente entre as famílias de classe C.
Segundo o Proteste, a facilidade de obtenção de crédito, a falta de planejamento familiar e as altas taxas de juros praticadas pelo mercado impulsionam o endividamento. Na pesquisa foram consideradas dívidas vinculadas a financiamentos, crédito, compras parceladas em cartão de crédito, lojas e carnês. Aluguéis e contas de serviço (água, luz, gás e outras) não foram incluídas.
As famílias que participaram do estudo têm renda média de R$ 2.401 e declararam pagar em média R$ 1.009,45 – o que equivale a comprometer 42% da renda para quitar dívidas. “As instituições financeiras têm grande parte da responsabilidade neste cenário ao estimular o uso do cartão de crédito, cujas taxas de juros foram as únicas a não ter reduções recentemente. Mantêm-se os juros estratosféricos que colocam a pessoa em uma situação de endividamento praticamente impagável”, informa a entidade de defesa do consumidor.
Ao observar o comprometimento da renda para quitar as dívidas, o estudo verificou que o percentual da renda empenhado para pagar os débitos é ainda maior na classe C – chega 46,36%, quatro pontos percentuais acima da média. As dívidas mais comuns são o parcelamento de compras no cartão de crédito, o parcelamento de faturas com os débitos do cartão e dívidas decorrentes de saques feitos com cartão de crédito.
O valor das dívidas é inferior a R$ 500 para 56,6% das famílias. Mas para 38,8% está acima de R$ 5 mil, segundo mostra o estudo. Mais da metade deles têm dívidas de curta duração – períodos de até três meses. E 32% têm endividamentos (valores emprestados ou financiados) por mais de três anos.
O levantamento aponta que, entre os dez maiores credores, estão cinco lojas – o que mostra que o crédito para o consumo é ainda um dos mais difundidos entre os entrevistados – e quatro instituições financeiras. No ranking dos principais credores apontados no estudo estão: banco Itaú, Bradesco, Casas Bahia, Santander, pessoa física (o que indica que crédito informal também é uma fonte importante de empréstimo), C&A, Renner, Leader, Caixa Econômica Federal e Marisa.

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