Identidade e tradição feminina no judaísmo

A importância da mulher judia para a religião judaica, da mesma forma que a importância da mulher para a manutenção da humanidade, é fundamental. No antigo Egito elas derrotaram o faraó e suas intrigas acendendo a chama dos valores espirituais no coração de sua geração. Nos dias atuais são as timoneiras do barco de sobrevivência judaica, pois educam as crianças, além de serem as responsáveis pela pureza da alimentação casher, de taharat hamishpachá (santidade da vida conjugal).

Foi partindo desses princípios que a socióloga Dina Paula Santos Nogueira escreveu o livro ‘Identidade e tradição – um estudo sobre as mulheres da comunidade judaica de Manaus’, lançado na última quarta-feira (28), na Ufam (Universidade Federal do Amazonas). “Estudo o judaísmo desde 2008. Em 2010 escrevi minha monografia sobre a participação da comunidade judaica no desenvolvimento da economia de Manaus”, contou. “A monografia descreve a presença judaica em Manaus desde o ciclo da borracha (1890/1910) até a chegada da Zona Franca, em 1967”, completou. “Diria que a importância do meu livro é servir a pesquisadores da identidade coletiva ou que façam estudos sobre tradição”, disse Dina.

Dois anos de pesquisa
Segundo a socióloga, no judaísmo, o papel da mulher é pedagógico. “É ela quem transmite a cultura e a história do povo judeu para os filhos, é quem organiza as festas, sem falar que é quem transmite a judaicidade para quem nasce, ou seja, um judeu só é considerado judeu se for nascido de uma judia, ainda que esta tenha se convertido”, ensinou. Além das informações de sua monografia, Dina pesquisou por mais dois anos para escrever ‘Identidade e Tradição’.

“Durante esse tempo, entrevistei seis judias com idades entre 18 e 80 anos, três judias de nascimento e três convertidas e consegui muitas informações interessantes. O que notei, no entanto, foi que as convertidas, que o fizeram por haverem se casado com judeus, carregam um peso maior pelo fato de não terem nascido judias. Elas precisam fazer um ‘esforço extra’ para serem aceitas no grupo”, disse. Outras atribuições das mulheres são ir às festas, frequentar o Shabát (a mais importante celebração ritual entre os judeus), e ser boa esposa.

Dina lembrou que suas pesquisas junto à comunidade judaica tem tido grande apoio de Anne Benchimol, diretora da Comunidade Judaica do Amazonas, que conheceu em 2010 quando estava fazendo sua monografia. “Isso por si só já demonstra a relevância que a mulher tem na comunidade. Anne foi a primeira mulher a ocupar essa função no Estado e tem se destacado desde então. A mulher não é deixada para segundo plano na religião, apenas os homens têm as funções deles, que é mais exposta, principalmente nas sinagogas, e as mulheres, as delas, dentro de casa”, disse.

Comunidade judaica em Manaus
Pesquisas do professor Samuel Benchimol (1923/2002) mostram que durante cem anos, de 1810 até 1910 chegaram à Amazônia aproximadamente mil famílias judias vindas do Marrocos. Parte delas se estabeleceu nas grandes cidades, Belém e Manaus (650 famílias), outras se assentaram na calha do rio Amazonas (250 famílias) e outras tantas alcançaram o Peru e foram viver em Iquitos e Tarapoto. “Hoje em dia calcula-se em mais ou menos três mil judeus vivendo em Manaus, entre homens e mulheres. É um censo não confiável porque alguns frequentam a sinagoga, e outros só aparecem em determinadas festas da religião”, falou Dina.

Segundo o portal Amazônia Judaica (www.amazoniajudaica.org), hoje em dia vivem cerca de 200 famílias em Manaus. Apesar de seu tamanho modesto, a educação judaica é tema importante e central na vida comunitária. Duas vezes por semana, cerca de 70 crianças se reúnem na escola complementar “Jacob Azulay” de judaísmo e língua hebraica. Tefilot (orações) são realizadas todos os sábados na sinagoga com mais de 100 frequentadores, e em seu rito são preservados os costumes e são cantadas as melodias que os antepassados cantavam no Marrocos espanhol.

Como conseguir a obra
‘Identidade e tradição – um estudo sobre as mulheres da comunidade judaica de Manaus’ foi publicado pela Editora Amazônia Judaica através do PPGS (Programa de Pós-Graduação da Ufam) e pode ser solicitado diretamente para a autora através do (92) 9 8276-5337.

Algumas considerações
Alguns elementos da tradição judaica podem ser destacados, como as cerimônias relacionadas ao ciclo vital judaico -nascimento, circuncisão, Bar Mitzvah, Bat Mitzvah, casamento, morte -as leis dietéticas, as indumentárias religiosas, as festas judaicas, as preces pessoais e comunitárias, o calendário judaico, entre outros.

Esses elementos, além de fazerem parte da tradição judaica, correspondem, de maneira marcante, à construção da identidade judaica e da maneira de ser e viver de um judeu. Muitos desses elementos fazem referência aos acontecimentos descritos na Torah, objetivando conectá-los com o passado histórico e religioso dos judeus na intenção de estabelecer uma continuidade entre os tempos bíblicos e a história antiga e contemporânea do povo judeu.

Nesse contexto, o presente trabalho objetivou identificar como as mulheres judias percebem e vivenciam a tradição judaica e em que medida os elementos ligados a essa tradição são importantes para a construção da identidade dessas mulheres.

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