Hotéis de selva se preparam para possível recessão em 2009

A atual conjuntura econômica tem causado preocupação nos empresários de hotelaria de selva. Apesar de não haver registrado quedas significativas no preço dos pacotes, há aqueles que projetam um período de decréscimo para o segundo trimestre de 2009.
No Anavilhanas Jungle Lodge, localizado no município de Novo Airão, o desempenho no setor no mês de fevereiro deste ano se manteve próximo ao percentual obtido em 2008. De acordo com o gerente Augusto Costa, o primeiro trimestre de 2009 se manteve superior ao período anterior, mas ele acredita que a tendência para segundo semestre é uma queda significativa. “Os meses de março a junho devem apresentar uma queda de 20% a 25% em relação à ocupação obtida no ano passado”, projetou.
De acordo com ele, a oscilação da moeda americana no período impactou a venda de pacotes de diversas formas. “A cotação do dólar mais alta nos últimos meses reverteu uma dificuldade enorme que o setor vinha enfrentando: baixo faturamento nas reservas fechadas em dólares, pois em 2008 a taxa média de câmbio para reais flutuou em torno de R$ 1,60 por dólar”. Segundo ele, a alta reverteu esse ponto negativo, mas é decorrente de um esfriamento da economia nos países do hemisfério norte, que são, para ele, os maiores consumidores de destinos turísticos. “Com isso, ela chegou acompanhada de uma queda nas vendas”, disse.
Segundo Costa, o efeito da queda no número de reservas é bem maior que o da alta do dólar e, com isso, haverá uma queda inequívoca no faturamento das empresas do setor. “Por outro lado, mais brasileiros têm escolhido a Amazônia como destino de suas férias, e isso deve-se em parte ao encarecimento dos pacotes de viagens ao exterior”, afirmou. Ainda assim, ele declarou que o fluxo doméstico de turistas à região é ainda muito baixo –cerca de 30% do total do hotel.
Os valores dos pacotes para o lodge atualmente são praticados em cima de tarifários de dólares, sendo diferenciados tanto para estrangeiros como para brasileiros e estrangeiros residentes no país, conforme a taxa de câmbio fechada durante o dia. Para manter e atrair mais público para o hotel, ele afirmou que está em estudo a realização de promoções juntamente com as agências de viagens para incentivar a vinda de clientes.
“Queremos estimular através de ‘pequenos mimos’, como oferecer um champanhe a cada hóspede que vir até o dia 30 de junho”. Outro “incentivo” é oferecer um bônus por número de pacotes vendidos pelas operadoras a cada semana.
O Anavilhanas Jungle Lodge é o único em frente do maior arquipélago fluvial do mundo, o de Anavilhanas. Segundo Costa, o hotel é exclusivo, com apenas 16 quartos o que, para ele, garante maior contato com a natureza, mais pessoalidade no atendimento e mais tranquilidade para o hóspede. “Nossos quartos também são muito bem equipados com ar condicionado eletrônico, amplo banheiro com água aquecida e uma aconchegante varanda privativa. É talvez o primeiro ‘hotel de charme’ da Amazônia brasileira”, disse.

Roteiro inicial

Segundo o proprietário do Tiwa Amazonas Ecoresort, localizado à margem direita do rio Negro, Peter Tilanus, mais de 90% dos turistas em visita à região são os que estão inicialmente fazendo um tour pelo Brasil. Nos 10% restantes que procuram diretamente a região amazônica, não apresentaram nenhuma queda expressiva. Segundo ele, o primeiro trimestre do ano é tipicamente fraco para o setor. Mas para o segundo período, ele prevê uma possível queda de até 25% nas vendas de pacotes.
De acordo com Tilanus, estima-se que o mercado de Manaus receba mensalmente em torno de 6.000 turistas, exclusivamente para os hotéis de selva. “Estes ficam em média três noites e gastam em torno de R$ 350 cada pessoa por dia nos pacotes e em torno de R$ 40 em gastos extras nos hotéis”, afirmou. Como estratégias para aumentar a presença do público que visita o local, está o atendimento cada vez mais crescente do público de Manaus, principalmente empresários em busca de realizar eventos como reuniões e convenções e que necessitam de um espaço.
Para o diretor do Juma Hotel, a 100 quilômetros de Manaus, a situação é considerada estável. O diretor Caio Fonseca afirmou ter melhorado o desempenho durante 2008, mas anteviu uma perspectiva não muito boa. “Imagino que o mercado de hotéis de selva está começando a sentir os efeitos agora, pois muitos turistas fazem reservas com meses de antecedência, então a crise demora mais para chegar”, afirmou.
Segundo ele, a oscilação do dólar não prejudica os índices do hotel em curto prazo. Para ele, o grande vilão é a queda de médio prazo na taxa de câmbio, pois torna os valores dos pacotes mais caros para os estrangeiros.

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