Fungos amazônicos contribuem para isolamento de compostos químicos

A busca crescente por novas substâncias com propriedades químicas, físicas e biológicas de interesse científico e tecnológico vem contribuindo significativamente para o avanço da síntese orgânica no mundo contemporâneo. É o caso da pesquisa sobre fungos amazônicos desenvolvida pelo doutor em química orgânica, Luciano Fernandes, do Programa de Mestrado em Biotecnologia da UEA (Universidade do Estado do Amazonas).
O estudo, que tem incentivos do DCR (Programa de Desenvolvimento Científico Regional) desenvolvido pela Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), com o apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), consiste no isolamento e preparação de compostos biologicamente ativos, extraídos de fungos encontrados na Amazônia.
De acordo com o pesquisador, estes compostos, quando identificados e separados, serão utilizados em reações de modificação de substâncias por meio de reações químicas, para a obtenção de padrões sintéticos.
Um exemplo de um constituinte químico já isolado por reagentes sintéticos oriundos de fontes naturais é a bergenina, encontrada na planta Uixi-amarelo, que possui efeito hepatoprotetor, antioxidante e analgésico. Outro constituinte é a zerumbona, que apresenta efeito contra células cancerígenas e as cumarinas, também isoladas de plantas, e que apresentam atividades biológicas interessantes, como ação antifúngica.

Interesses de pesquisadores

De acordo com Fernandes, as enzimas de origem fúngica têm despertado interesse de pesquisadores devido ao amplo potencial de aplicações em processos industriais e biotecnológicos. Além disso, podem apresentar muitas vantagens quando comparadas aos métodos sintéticos tradicionais, pois utilizam condições brandas e em geral apresentam alta seletividade. “O custo para obter o reagente também é bem menor”, afirmou.
O cultivo dos fungos amazônicos ocorre no laboratório de biotecnologia da UEA, a partir de líquidos sintéticos, sendo um para induzir a produção de lípases (enzimas que atuam sobre lipídeos, catalizando alguma reação química que estas moléculas possam sofrer) e o outro para favorecer a produção de lacases (espécies de enzimas multiméricas que catalisam a oxidação de uma variedade de compostos fenólicos e são largamente distribuídas entre os fungos).
O pesquisador e professor da UEA, que obteve a graduação, mestrado e doutorado pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e possui experiência no desenvolvimento de novas metodologias sintéticas simples, eficazes e de baixo custo, explicou que a pesquisa ainda está em desenvolvimento e servirá como base para mais estudos na área da química orgânica. “Já submetemos outros projetos a Fapeam e CNPq para dar continuidade à pesquisa”, afirmou.
Para o desenvolvimento desta pesquisa a Fapeam e o CNPq destinam juntos mais de R$ 187 mil a serem empregados em auxílio pesquisa, bolsas e auxílio instalação.

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