Para acompanhar de forma constante os reflexos da COVID-19, a ABF – Associação Brasileira de Franchising, em parceria com a empresa de pesquisas AGP, passou a medir mensalmente o desempenho do setor de franquias no Brasil. A segunda edição do estudo mostrou que a queda média no faturamento das franquias em maio em relação ao mesmo período do ano passado foi de 41%, uma leve desaceleração em relação à baixa registrada em abril de 48,2%.

Os segmentos de Entretenimento e Lazer, e Turismo e Hotelaria continuam a ser os mais afetados, mas o estudo mostrou que Saúde, Beleza e Bem-Estar, Serviços e Outros Negócios, e Serviços Educacionais apresentaram menos da metade da queda média do setor neste mês. Considerando o desempenho do setor no 1º trimestre e em abril e maio, a ABF espera que o setor continue a reduzir suas perdas em junho e julho, à medida que a atividade econômica vá retornando gradualmente.

“Em maio tivemos uma disseminação das políticas de combate à COVID-19, mas, mesmo assim, identificamos uma diminuição na queda do faturamento, o que consideramos positivo. Atribuímos este resultado ao esforço geral do setor em manter suas atividades mesmo em um cenário tão adverso e, principalmente, à intensa agenda de digitalização e desenvolvimento de novos canais de venda. Esse processo ganhou um impulso muito grande em março e abril deste ano e, aparentemente, os resultados já começaram a aparecer em maio”, afirma André Friedheim, presidente da ABF. A pesquisa mensal de abril já tinha apontado que 83% das redes já estavam operando com delivery a partir das unidades e 68% dispunham de e-commerce próprio da franqueadora.

O estudo ABF/AGP apontou também que 18,4% das unidades estiveram fechadas temporariamente em maio. A taxa de encerramentos definitivos se manteve em 0,5%.

“A elevada taxa de fechamentos temporários se deve ao cenário instável do mês em relação às políticas de combate a pandemia, principalmente a suspensão de atividades comerciais presenciais. À medida que os modelos online avancem e a atividade econômica vá sendo retomada, esperamos que essa taxa comece a cair. De outro lado, a manutenção em níveis baixos da mortalidade de franquias confirma mais uma vez que as medidas tomadas pelas franqueadoras de digitalização e intensificação do suporte ao franqueado estão surtindo efeito. Estar em uma franquia continua a apresentar vantagens perceptíveis mesmo em um contexto tão desafiador”, disse o presidente da ABF.

A pesquisa de maio mediu pela primeira vez o índice de repasse de unidades, que foi de 0,1% no período. “Esse volume está ainda tímido, mas acreditamos que ele vá crescer nos próximos meses. O repasse é quando um franqueado vende uma unidade já em operação para um novo investidor, seja ele um novo entrante ou um multifranqueado da rede. Ele assume um negócio já em atividade e, de forma geral, costuma aporta recursos financeiros e de gestão de forma a dar um novo direcionamento ao negócio. Temos muitos casos de sucesso, inclusive em outros períodos difíceis, de maneira que o repasse pode ser um instrumento cada vez mais frequente de manutenção de negócios e empregos”, explica André Friedheim.

O compasso de espera também se refletiu nos planos de expansão das redes. O estudo de maio mostrou que cresceu a porcentagem de redes que paralisou ou reduziu seus planos.

“Neste contexto, é natural a realização de ajustes, mas ressalte-se que a grande maioria das redes continua seu processo de expansão. Isso é importante para ocupar território, aproveitar melhores condições de aluguéis e fornecedores e receber novos empreendedores interessados em ingressar no setor. Como já ocorreu em outras situações, um mercado de trabalho deprimido leva muitos profissionais qualificados e com recursos a empreender por necessidade por meio do franchising. Além disso, com juros historicamente baixos, muitos investidores começaram a olhar o franchising com mais atenção”, finaliza o presidente da ABF.

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