Ferragem Ancora e Casa Síria são as empresas mais antigas da cidade

No Amazonas, apenas duas empresas superaram seis décadas contínuas de portas abertas. Elas trocaram de nome, de ramo de atividade, mas se mantiveram no setor de comércio varejista. São elas, a Ferragem Ancora e a Casa Síria. Duas décadas depois surge a terceira instituição ativa mais antiga do Estado, o Bandeirão. A identificação do tempo de funcionamento das três empresas segue o registro do Estado realizado pela Sefaz (Secretaria de Fazenda), conforme a contribuição de ICMS.
Nas histórias de perseverança para manter as lojas, a união é apresentada pelos responsáveis como o segredo para tantos anos de atividade. Os negócios de família ainda têm outro ponto em comum, surgem no Centro da cidade.
Aberto por árabes em 1941, na rua Marquês de Santa Cruz, o armarinho de José e de sua esposa, Jamel Abdala Fadul, que também comercializava utensílios domésticos e miudezas, muda de ramo em 1982. Na época chamada de Linda Amazonense, a loja passa a ser de ferragens, após ser administrada por Graciete Sema Fadul. A Ferragem Ancora foi transferida para outro prédio a poucos metros da sede. Desde então, o espaço maior permitiu a expansão dos negócios que hoje têm mais três representantes da família a frente, os filhos José Fadul, Gustavo e Adolfo Sena Fadul.
O reconhecimento de tanto tempo ativo também é atribuído a fidelização de clientes. “Alguns inclusive vem de Iranduba e Manacapuru atrás das mercadorias”, comenta, pontuando que o forte são as vendas em varejo e as chamadas vendas de balcão. Entre os clientes fiéis, os comerciantes apontam grandes nomes como Bemol, Carrefour, Tropical, Eletrobras Amazonas Energia e Funai.
Com 69 anos de existência, a Ferragem Ancora tem sete funcionários diretos e dois indiretos. A loja vende produtos como arpão, caixa de correio, de tubos e conexões. Parte destes materiais é originária do PIM (Polo Industrial de Manaus).

Com 66 anos e localizada na mesma região, na rua dos Barés, a segunda loja há mais tempo ativa no Estado é a Casa Síria. Atualmente especializada em fogos de artifício, a loja ainda vende artigos de papelaria e produtos para o lar.
Outra pequena empresa que persiste há anos próximo ao Porto de Manaus, é a de Rivaldo Bandeira de Melo. Vindo de Recife, passou a consertar canetas e fazer gravação de nomes nestas. Bandeira se estabeleceu na rua Marquês de Santa Cruz. Desde 1964, o chamado ‘Médico das Canetas’, mantém o serviço no Centro da cidade. Mas a companhia das canetas, há duas décadas, foi para a avenida Floriano Peixoto.
Sob a mesma administração, aos 75 anos, é Bandeira quem toma as decisões da loja. “Ele assume os negócios e dá conta de comprar as mercadorias”, ressalta a filha, Fabíola Bandeira de Melo Moraes, que aprendeu o ofício de comerciante já na primeira loja, junto ao pai.
A atividade do pequeno estabelecimento, que nunca mudou de ramo, ainda deu origem a mais uma loja para a família, onde três das quatro filhas assumem a administração da venda de artigos de festas e decoração de eventos, na rua Pará.
“Meu pai queria um nome popular e que combinasse com o sobrenome da família, então ficou Bandeirão”, conta Fabíola sobre a estratégia de marca do pai.
Segundo Fabíola, a família por parte de pai é de comerciantes pernambucanos e por parte de mãe, de árabes. Ela estima que seja assim nos próximos anos, com os netos de Bandeira que já são seis, todos juntos e se interessando pelos negócios que levam o nome da família.

Empresas familiares

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, lembra saudoso dos antigos estabelecimentos da cidade. Entre as primeiras empresas que compõem a história do comércio, mas não se mantiveram ativas, Gaitano lembra da J Tadros e Companhia (1880), da família Tadros, o Curtume Universal (1890), da própria família, e Drogaria Lemos, da família Abrahim.
“Assim como 80% das empresas no país, aqui também algumas empresas são familiares”, analisa Gaitano sobre a característica das empresas locais, complementando que “as empresas que não existem mais, não tiveram sucessores que tomassem conta dos negócios”.
Para dar continuidade ao negócio é preciso vencer a concorrência em uma pesada disputa por clientes, como a que ocorre com as franquias. “As franquias são grandes marcas que você escolhe para não ter concorrência de mercado. O dono é praticamente um comissionado que sabe aproximadamente os lucros que vai ter”, considera Gaitano sobre os menores riscos do tipo de negócio de grande visibilidade que segue caminho diferente do comerciante que se aventura no empreendedorismo local.
O presidente da ACA ainda avalia a relação do cliente com as lojas de grandes marcas. “O cliente é que procura a loja não a loja que procura o cliente”, enquanto o pequeno comerciante disputa o cliente com outros negócios.

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