Espaços formais de aprendizagem

Os espaços formais de aprendizagem (Formal Learning Spaces, do inglês) são aqueles que foram detalhadamente planejados para tal, cujo uso também é devidamente planejado, de maneira que faz parte da programação da organização de educação profissional e tecnológica (EPT). Quando se fala em formal, este termo designa exatamente isso: a sua existência documentada, formalizada, planejada, o que implica em admitir que aquele é o seu uso apropriado (e talvez único). A definição precisa do que seja formal é necessária para que se possa também compreender os espaços que não são formais: os não formais e os informais. Neste sentido, este texto tem como objetivo descrever as principais características dos espaços formais de aprendizagem.

A ciência tem demonstrado, ao longo da última década, os impactos que os ambientes de aprendizagem exercem sobre os estudantes, instrutores e, sobretudo, a aprendizagem. Esses ambientes, por exemplo, contribuem para acelerar ou retardar a aprendizagem, aumentar ou reduzir a percepção dos estudantes sobre os fenômenos que buscam aprender, facilitam ou dificultam os trabalhos de ensino dos professores, impactam positiva ou negativamente no comportamento dos alunos durante o uso do ambiente, afetam significativamente os resultados alcançados por professores e alunos, dentre inúmeros outros.

Não é difícil perceber, portanto, que os espaços são quase-determinantes do sucesso ou fracasso da aprendizagem. Mas o que é um espaço de aprendizagem? O que é um espaço de aprendizagem formal? Espaços de aprendizagem são, tautologicamente, todos aqueles que permitem a aquisição de conhecimentos, habilidades e/ou atitudes por parte de um indivíduo ou grupo de indivíduos. Espaços formais de aprendizagem são ambientes formalmente planejados para a aquisição de determinados tipos de conhecimentos, habilidades e/ou atitudes. O aspecto “formal” do construto designa seu caráter de reconhecimento explícito, legal, de sua finalidade.

Vamos a um exemplo. Determinada sala de aula foi detidamente planejada para ser ocupada, no máximo, por 40 alunos, sentados em carteiras com espaço de 1m2, com 0,5m2 de área adjacente para circulação, em um total de 1,5m2 por aluno, somando-se 60m2 de área total. A área de trabalho do professor, em formato de pequeno palco, foi planejada para ter 18m2 (6m x 3m), o que totalizava 72m2 de área total daquele espaço de aprendizagem. A área dos alunos permitia visão perfeita da área do professor de qualquer lugar e continha todos os equipamentos de uso nas aprendizagens programadas para aquele ambiente.

Nesse espaço eram trabalhadas as aquisições de conhecimentos, que são esquemas lógico-compreensivos, tais como a demonstração da validade das equações logarítmicas e das leis de Newton, a exposição de resultados de pesquisas técnicas, científicas e tecnológicas, assim como debates entre alunos e entre professores. Também ali eram exercitadas as atitudes dos estudantes de Direito, em encenação de júris simulados, assim como os processos de negociação, típicas dos cursos de Administração, Ciência Política e Relações Internacionais. Algumas vezes eram trabalhadas determinadas formas de habilidades, como o falar em público, e a pronúncia de fonemas, palavras, frases, orações e períodos dos cursos de língua estrangeira da instituição.

O planejamento daqueles espaços fora tão minucioso, que diversas vezes as obras tiveram que ser modificadas para que a acústica do ambiente estivesse tal qual desejado, por exemplo. Essas características levaram, certa vez, que algumas equipes de teatro requisitassem, com sucesso, o uso daquelas salas para apresentações em determinado evento institucional. As apresentações foram um sucesso, mas aqueles espaços não foram planejados para isso.

O uso das salas de aula pelo pessoal de dança fez dele um espaço não formal, enquanto o uso para aquisição dos conhecimentos, habilidades e atitudes previstos tornavam-no formal. Tudo o que acontece em um espaço formal para além daquilo que ele foi planejado se configura como uso não formal e o torna, portanto, não formal. O que faz, afinal, um espaço de aprendizado ser considerado formal? Simples: o planejamento de sua finalidade, consubstanciado em algum documento, o que formaliza a sua existência e uso. Inversamente, por exemplo, uma aula expositiva feita em um refeitório faria desse um espaço não formal, porque os refeitórios não são destinados a esse fim.

Os espaços formais quase sempre seguem a programação da própria evolução do esquema de aprendizagem. Por exemplo, as salas de aula são quase sempre padronizadas, com o professor à frente da turma, com quadros para as anotações das lições, máquinas e equipamentos previamente definidos, e assim por diante. Como os espaços formais de aprendizagem remontam à tradição secular de ensinagem, também são chamados pela literatura científica de espaços tradicionais de aprendizagem. Esses espaços, como também os informais, não formais e semiformais.

O que também é interessante nos estudos dos espaços de aprendizagem é a multiplicidade daqueles espaços que vão além do tradicional. Por essa razão, por exemplo, há muito mais espaços não formais, informais e semiformais do que os formais justamente pela capacidade humana de reaproveitar e criar novos aproveitamentos de todos os espaços existentes em uma organização de aprendizagem. Neste sentido, os jardins podem se transformar em excelentes espaços de aprendizado de biologia ou astronomia (em aulas noturnas), da mesma forma que os banheiros e suas privadas, para aulas de biologia, parasitologia e assim por diante. Realmente, não existe espaço delimitado e previsível para a inventividade humana, como mostram os estudos sobre espaços de aprendizagem.

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