Escândalo de falsa espionagem abala executivo

O escândalo de falsa espionagem na Renault, que culminou nesta semana na saída do número dois do grupo, Patrick Pelata, afetou a imagem do presidente-executivo da montadora, Carlos Ghosn.
O executivo, nascido no Brasil, mas naturalizado francês, está à frente da companhia desde 2005.
O governo francês, que detém 15% da companhia, nega que tenha pedido a saída do executivo junto com a demissão de outros funcionários, na segunda-feira.
“O governo decidiu seguir as recomendações da auditoria independente realizada na Renault, que considera que houve erros de gestão na companhia. As pessoas que cometeram esses erros já renunciaram ou foram afastadas’’, disse o Ministério da Indústria à reportagem.
“Carlos Ghosn não é citado por esse relatório, o governo não tem razão para apoiar sua saída’’, afirma o gabinete o ministro Eric Besson.
A deixar a reunião do conselho da companhia que decidiu pela saída dos executivos envolvidos no erro, Ghosn afirmou que o encontro “virou uma dolorosa página na história da Renault.
“Mais que os executivos envolvidos, todos os funcionários da Renault sofreram com a crise. Essa é a razão pela qual grandes mudanças foram feitas para restaurar a confiança na companhia’.’
Analistas acreditam, porém, que a imagem do executivo -conhecido por sua gestão rígida à frente da montadora, que lhe rendeu o apelido de “matador de custos’’- possa ter sido permanentemente prejudicada.
“Não restará nenhuma outra atitude ao senhor Carlos Ghosn de se afastar da Renault dentro de um prazo muito curto’’, afirma Luiz Carlos Mello, coordenador do CEA (Centro de Estudos Automotivos).
De acordo com ele, em uma empresa como a Renault, o executivo-chefe é muito suscetível a problemas de imagem. “Ele é o grande avalista da imagem da empresa. Quando ocorre um escândalo assim, ele tem que deixar o cargo’’, diz.
Em entrevista à emissora TF1, em março, Ghosn pediu desculpas pelo caso e disse que iria readmitir os funcionários demitidos injustamente pelas acusações. Além disso, afirmou que devolveria seu bônus de 2010 -cerca de 1,6 milhão- e o lucro por opções de compras de ações em 2011 após o caso.
A saída de Ghosn não é estratégica para o governo neste momento, quando a empresa prepara uma nova estratégia industrial para aumentar sua importância na Europa e liderar o desenvolvimento de um carro elétrico -projeto no qual já investiu 4 bilhões.

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