10 de abril de 2021

Entrave no polo de biocosméticos é alvo de pesquisa

Falta de infraestrutura e estocagem de matérias-primas dificultam a estabilização dos produtos no mercado, solução seria a criação de cooperativas

Em razão das grandes distâncias que a região ostenta, da falta de infraestrutura adequada e dos problemas de estocagem das matérias-primas provenientes da biodiversidade amazônica, as indústrias do Polo Biocosmético do Amazonas encontram dificuldades para que os produtos se firmem no mercado de cosméticos, mesmo com a boa aceitação desses produtos.
Com o objetivo de entender este processo e encontrar alternativas para mudar este quadro, a professora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Kátia Cavalcante desenvolveu a pesquisa “A Amazônia como apelo de mercado e estoque de matéria-prima para a indústria de biocosméticos: ficção ou realidade?”, que, entre outras alternativas, apresenta a possibilidade de criação de cooperativas no interior do Estado como solução para o problema.

Uso da biodiversidade e marca Amazônia

Para a pesquisadora, os resultados do trabalho permitem que sejam avaliados pontos como o uso da biodiversidade e a marca “Amazônia” no mercado mundial, bem como possibilitam o direcionamento de esforços para a solução dos problemas identificados. “No cenário atual, de economia globalizada, a biodiversidade amazônica, aliada à pesquisa e tecnologia, pode agregar valor à produção regional, uma vez que a marca Amazônia é um referencial aos produtos da região que os torna competitivos no mercado internacional”, destacou.
Numa primeira etapa, a pesquisa envolveu a elaboração preliminar da metodologia aplicada e dos objetivos a serem alcançados. Consequentemente, o processo de literatura permitiu o entendimento e o aprofundamento dos conceitos que orientaram o estudo. Na terceira etapa, a pesquisadora realizou visitas, observações, entrevistas e coleta de dados por meio de questionários estruturados. Na penúltima etapa, foi realizada a análise do material coletado e discussão dos resultados obtidos e, por fim, na quinta etapa, a construção do trabalho científico.
Cavalcante explicou a dificuldade de encontrar as fontes para pesquisa, como a falta de uma literatura específica e trabalhos científicos. “As pesquisas de caráter acadêmico-científicas ainda são imperceptíveis ao público em geral no Brasil, isso se deve ao pequeno quantitativo da população que tem acesso à formação acadêmica lato ou stricto sensu. Esse cenário inibe a participação e colaboração dos entrevistados para a realização de pesquisas estatísticas”, completou a pesquisadora.
Segunda ela, atualmente, busca-se para o Amazonas uma alternativa para que o processo de crescimento e desenvolvimento econômico deixe de ser exógeno (de origem externa) e transforme-se em endógeno (de dentro para fora), ou seja, sem depender de ações e atividades externas como o PIM.
Para tanto, torna-se necessária a identificação de uma vocação regional que possibilite o enraizamento de seu processo produtivo e que, ao se beneficiar de incentivos fiscais demande uma cadeia produtiva que utilize matéria-prima e tecnologia integralmente regional. “O Amazonas é apontado como o local ideal para o desenvolvimento econômico e turístico pelos institutos locais e pelo apelo de marketing da marca “Amazônia”, finalizou.

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