Editorial – Brasil opta por caças franceses de olho no Conselho da ONU

O governo brasileiro mostrou maturidade nas negociações para a compra dos aviões caças que deverão se juntar à FAB (Força Aérea Brasileira). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, acabaram com a polêmica e decidiram que os novos caças serão os franceses Rafale, da Dassault. O negócio estava emperrado, mas os franceses colocaram na mesa um argumento poderoso: a redução de US$ 8.2 bilhões para US$ 6.2 bilhões.

Assim, o Brasil fechou o acordo com os franceses para a aquisição do pacote de 36 aviões franceses, contrariando recomendação técnica da FAB, que considerou os aviões Gripen, suecos, ou os F-18, norte-americanos, como os mais aptos a operar nos céus brasileiros. O anúncio da compra dos aviões, pelo governo brasileiro, causou rebuliço na indústria aeronáutica mundial pelo volume financeiro envolvido.

As propostas apresentadas pelos suecos eram atrativas, pois além dos aviões, o pacote inclui a transferência de tecnologia, o que foi decisivo para a FAB considerar essa a melhor proposta. Sempre preocupado com questões de segurança nacional, os militares queriam que o negócio fosse fechado com a Suécia e seus aviões Gripen. Ao final, prevaleceu também a questão política.

É claro que o governo brasileiro tem muito mais interesse em fazer negócio com a França, em relação à Suécia ou Estados Unidos. Os americanos têm sido o maior entrave à entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, onde a França tem assento como membro efetivo. A estratégia do presidente Lula é óbvia. Ao se tornar parceiro comercial dos franceses, o Brasil espera contar com o apoio irrestrito da França quando pleitear novo posto no Conselho de Segurança.

Lula quer ser reconhecido como grande estadista, não apenas no exterior, onde já conquistou tal posto, mas também no Brasil, onde seu governo ainda não conquistou o respeito da classe social que realmente conta, os milionários e os intelectuais. Tirando os erros estratégicos de apoio a Manuel Zelaya, em Honduras, e a reverência a Hugo Chávez, da Venezuela, Lula parece ter encontrado o norte de como tornar o Brasil uma potência. Ao menos já aprendeu a negociar.

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