E-commerce de arte cresce

O mundo foi profundamente abalado pela pandemia do novo coronavírus, que impactou as relações de trabalho, as interações sociais e a vida como um todo. Enquanto o impacto sobre algumas áreas e setores foi claro, questões mais silenciosas atingiram o universo das artes, especificamente os museus e as galerias de arte, que sofreram com a falta de entrada de recursos durante o período. A saída foi procurar vendas pela internet, gerando um crescimento do comércio eletrônico de obras de arte.

Segundo um relatório publicado no final de abril de 2021 pela seguradora Hiscox, o comércio eletrônico de obras de arte registrou um grande crescimento em 2020, superando 46% em relação ao ano anterior. O indicativo mostra como a pandemia impactou os modelos de vendas desse tipo de peça, que normalmente era comercializado em leilões presenciais ou exposições. Sem esses espaços, entretanto, galerias e artistas precisaram buscar alternativas para garantir o faturamento.

A pesquisa escutou pessoas que compraram obras de arte online e 56% dos entrevistados acreditam que esse tipo de venda está se tornando algo permanente no setor artístico, enquanto 25% dizem ser temporário. Entre os que compraram, 56% afirmam que recorreram às plataformas digitais para adquirir obras e bens colecionáveis, porque queriam “ajudar artistas e galerias”, que enfrentam problemas financeiros em meio à pandemia.

O uso das plataformas virtuais como espaço para esse tipo de comércio foi a escolha natural das galerias de arte, especialmente durante os momentos de pico da pandemia. Outro relatório, também produzido pela Hiscox, com dados de 2020, analisou como as redes sociais colaboraram para impulsionar o comércio eletrônico de obras de arte. O Instagram, por exemplo, foi citado por 68% dos entrevistados como a plataforma preferida para fins relacionados à arte.

A expectativa é de que, se as galerias e casas de leilão usarem esse tipo de plataforma de maneira inteligente, é possível que o comércio online seja uma parte importante do faturamento.

Venda de acervos de  museus

Apesar da venda de obras de arte em galeria ser uma prática comum e que faz parte do faturamento desse tipo de local, a venda de peças artísticas por museus é uma questão completamente diferente. Até a pandemia, a venda de peças que integram o acervo de museus só era feita com o intuito de adquirir uma nova obra para preencher o espaço. Agora, uma prática diferente tem acontecido nos Estados Unidos, na qual muitos museus, como o Museu do Brooklyn e o Museu de Arte de Baltimore, estão vendendo peças para cobrir custos operacionais, como o pagamento de salários e a manutenção do acervo, prática que era vetada pela Associação dos Diretores de Museu de Arte dos Estados Unidos até então.

Sem o faturamento pela venda de ingressos e comercialização de produtos temáticos, vários museus têm encontrado dificuldades para garantir o pagamento de contas gerais e manutenção dos espaços.

As vendas de obras de arte de forma online têm acontecido majoritariamente por meio de leilões online, em casas renomadas como Sotheby’s, Christie’s e Phillips, permitindo que os compradores adquiram as obras sem sair de casa.

Polêmicas sobre a venda de obras por museus

A venda de obras de arte tão renomadas segue como tema de polêmicas, já que a chance de elas voltarem a ser vistas pelo público é baixa após serem adquiridas por um comprador particular.

Outro ponto que levanta debates é o fato de que esse tipo de atividade desestimula possíveis doadores de obras, que ficam receosos em entregar seus tesouros para museus, com medo de que a peça em questão seja vendida. É importante levar em consideração que as práticas atuais estão sendo realizadas em um momento muito singular da história, indo contra o que era estabelecido até então.

No Brasil, a venda de obras que compõem o acervo como forma de levantar fundos para a cobertura de custos operacionais ainda não é uma tendência. Por aqui, as instituições consideram o comércio eletrônico de obras de arte do seu acervo para pagamento de custos operacionais como última alternativa, buscando outras maneiras de garantir o faturamento. Para espaços menores e casas de arte locais, o financiamento – aliado a estratégias e aplicativos para aumentar o score – e a criação de planos de benefícios com compra antecipada são algumas das estratégias.

Foto/Destaque: Divulgação

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