Doces lembranças manauaras

Os doces da culinária portuguesa são famosos no mundo todo, e como os portugueses foram os colonizadores de Manaus, e até hoje se renovam na cidade, também se renovam as delícias lusitanas. E isso há décadas, quiçá, há mais de século.

Os doces, pela sua natural característica de proporcionar momentos de prazer enquanto consumidos, são capazes de permanecer na imaginação das pessoas pelo resto de suas vidas. As docerias, então, de onde saem essas iguarias, podem acabar se transformando em local frequentado por anos a fio pelos amantes dos doces. Uma doceria que fez história em Manaus foi a doceria Avenida, “que ficava na Eduardo Ribeiro próximo à rua 24 de Maio. Tinha balcões com vitrines e variados quitutes que faziam a alegria de crianças e adultos. O preferido era o caramujo, além dos refrescos. Naquele tempo, anos de 1940/1950, ninguém chamava suco. Era muito frequentada pelas crianças à tarde”, lembrou o professor e historiador Aguinaldo Figueiredo. A mais antiga doceria de Manaus, com 61 anos de existência, ainda em funcionamento à rua Henrique Martins, é a São Judas Tadeu. Nas paredes, quadros originais das décadas de 1950/1960, com propagandas de refrigerantes, e chama a atenção uma vitrine onde os doces ficam expostos. Segundo os proprietários a vitrine teria mais de 100 anos e foi de uma chapelaria. O primeiro proprietário, que abriu a doceria em 1956, trabalhou na doceria Avenida.

Os mesmos doces daquela época, de acordo com os proprietários, são produzidos até hoje, exatamente com a mesma receita. Destaque para os caramujos, pequeno cascalho no formato de um cone com um doce amarelo, que recheia o cascalho do começo ao fim.

Alguns entrevistados pelo Jornal do Commercio, todos com mais de 50 anos, guardam na lembrança o doce sabor das confeitarias que faziam sua alegria nas tardes da pacata Manaus de 40, 50, 60 anos atrás.

Doces portugueses

“Na minha infância a única doçaria foi a Avenida, onde parávamos quando minha mãe ia às compras, no Centro, subindo à tarde, pelo lado da sombra da Eduardo Ribeiro. Os doces de lá não tinham a qualidade dos das doçarias do Rio de Janeiro, mas para nós eram bons. Ali tínhamos doces caracteristicamente portugueses: pudins de água, roscas com glacê de açúcar, biscoitos polvilhados com açúcar cristalizado e recheados com goiabada, pasteis de Santa Clara, queijadinhas e outros. Mas todos queriam merendar as famosas empadas de camarão com guaraná. Na rua Marcílio Dias ficaram famosas os sanduíches de pernil assado do Messias, com um molho de tomate, de sabor inesquecível. Em casa os doces mais atraentes e comuns sempre foram o doce de leite ou a ambrósia, com raspas de limão e cravinho, o doce de goiaba vermelha em calda, o pudim de coco amoroso e o doce de mamão verde, uma especialidade de uma bisavó, com cravinho. Minha mãe, Cloé Loureiro, escreveu o livro ‘Doces Lembranças’, sobre os doces locais”. Antonio Loureiro, historiador.

Beijinho de coco

“Há muito tempo havia na Eduardo Ribeiro a padaria Avenida que, tradicionalmente, oferecia doces de qualidade especial, mas o que marcou, para mim, foi o beijinho de coco acompanhado pelo rala-rala de groselha”. Dudu Monteiro de Paula, jornalista.

Pudim

Adorava o Almanara (lanchonete na avenida Eduardo Ribeiro), e a lanchonete da Lobras (pra comer banana split) e do pudim do Sr. Álvaro, no Canto do Alvorada”, Marilene Corrêa, professora da Ufam e presidente do Instituto, Geográfico e Histórico do Amazonas.

Sorvete

No Natal me lembro que se assava leitão nos fornos das padarias. Também lembro de uma lanchonete na Lobrás, na Sete com a Eduardo Ribeiro, onde tinha um cachorro quente delicioso. Na praça N. Sra. de Nazaré, na Vila Municipal, onde morava minha avó materna, dona Brigitta Daou, havia uma taberna que vendia sorvete muito gostoso, na esquina da praça”, Pedro Lucas Lindoso, advogado.

Folhados doces

“Inesquecível para mim em termos de confeitaria, como a gente chamava, era a avenida, na Eduardo Ribeiro. Amava os folhados, o doce e o de camarão. Até hoje procuro lá em Portugal aquelas maravilhas. Outra maravilha era o bolo-rei da época de Natal e, claro, os doces maravilhosos feitos pela mamãe e sua comadre italiana, casadinhos, balas de maracujá, sequilhos e o pudim sem igual”, Elza Souza, jornalista e escritora.

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