“Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas. E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas foram-lhes como muro à sua direita e à sua esquerda”.
Esse é o famoso trecho do Êxodo no qual Moisés atravessa o mar Vermelho, que se abriu à sua passagem, levando o povo judeu fugindo do Egito, rumo à terra prometida.
Pois agora, mais de dois mil anos depois, o mar Vermelho volta a ter importância relevante na vida do povo judeu. O motivo parece muito com as catástrofes climáticas citadas na Bíblia: é que o mar Morto, cuja água é a mais salgada do mundo, está, literalmente, morrendo. Desde 1962 ele vem evaporando, já perdeu 27 metros e, se continuar nesse rítmo, até 2050 não mais existirá.
Para resolver o problema, no dia 9 passado, segunda-feira, os três povos banhados pelo mar Morto (Israel, Jordânia e Palestina) assinaram um acordo para a construção de um duto que transportará água do mar Vermelho, um mar internacional, para o mar Morto.
Yehuda Hochmann, articulista do Jornal do Commercio, e que mora em Israel, disse que, independente das desavenças e conflitos existentes na região, “a construção de todo tipo de projeto conjunto é sempre um passo à frente”.
Dados demonstram que a margem do mar Morto retrocede entre 1 e 1,5 metro por ano. São 500 milhões de metros cúbicos de água evaporados a cada ano. A ideia é extrair anualmente até 200 milhões de metros cúbicos de água do mar Vermelho, que passará por uma rede de tubulações instalada na Jordânia. Desses, 80 milhões serão dessalinizados, a fim de fornecer água potável para a Jordânia e o sul de Israel. O restante, junto aos resíduos da dessalinização, será despejado no mar Morto, visando evitar sua extinção. Projeto, analisado desde 2005 pelo Banco Mundial, está estimado em 22,9 bilhões de reais. “Trata-se de uma transferência de água de um mar ao outro através de um sistema de adutoras subterrâneas”, disse Yehuda.

Gesso flutuante

Mas ambientalistas são contra o projeto “Vermelho-Morto” e pedem que os três povos desistam da iniciativa. “Os estudos preliminares demonstram que, ao misturar a água do mar Vermelho com a do mar Morto, seriam produzidos depósitos de gesso. A qualidade e composição química da água de ambos os corpos é diferente. Existe o risco de que se crie uma crosta de gesso flutuante. Isso significaria matar duas vezes o mar Morto”, afirmou Marcelo Sternberg, professor do departamento de biologia molecular e ecologia vegetal da Universidade de Tel Aviv.
Apesar de elevada concentração de magnésio, cálcio, potássio e bromo fazer com que somente bactérias consigam sobreviver em suas águas, o mar Morto (por isso ele tem esse nome) é fonte de riqueza para israelenses, jordanianos e palestinos. Yehuda contou que “o mar é importante fonte de riquezas naturais e indústria turística para os três povos”.
“Gostaríamos de ter acesso ao mar Morto, não apenas para conseguir água e nadar no mar, mas também para construir hotéis e desenvolver atividades turísticas”, falou Shaddad Al-Attili, chefe da Autoridade Palestina de Águas.
A riqueza mineral do mar Morto é considerada terapêutica e visitantes adoram flutuar na água densa, que não deixa que a pessoa afunde. Israelenses gerenciam um grande número de hotéis e praias na região.
O projeto também prevê levar água dessalinizada a bairros com pouco abastecimento em Israel, Jordânia e Palestina.
“Essa dessalinização se faria apenas da água do mar Vermelho, já a importância do projeto para o mar Morto seria mantê-lo no nível atual ou um pouco mais alto”, explicou Yehuda. Sobre o mar Vermelho, Yehuda lembrou que ele continua sendo importante até hoje para os israelenses, como foi um dia quando lhes serviu de caminho de fuga da escravidão. “É a porta de saída de Israel para a Ásia e para África, através do porto de Eilat, bem como para a Jordânia, através do porto de Akaba”, concluiu.

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