Dificuldades geram mais investimentos

A complexa logística da região amazônica e os problemas de gerenciamento dos recursos públicos destinados para o setor primário são os grandes responsáveis pelas dificuldades de desenvolver políticas para o segmento voltadas para a auto-suficiência de alimentos no Estado. Mesmo com investimentos de R$ 151 milhões das secretarias estadual e municipal, Manaus sofre com a necessidade de importar produtos como o arroz, mas sobra na produção de farinha de mandioca e de hortifrutigranjeiros.
Somados, os investimentos dos órgãos são aplicados em incentivos a produtores, na abertura de vicinais e a aquisição de meios de transporte para o escoamento da produção, além da organização de feiras e mercados para que o produto seja comercializado. Como responsabilidade do Estado, está a relação direta com produtores e a logística disponibilizada a eles para deslocamento da produção.
Para suprir essas necessidades, o governo estadual destina R$ 78 milhões do seu orçamento para o setor primário, que, ainda recebe outros R$ 60 milhões arrecadados de convênios junto ao MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e à Suframa. De acordo com o titular da Sepror (Secretaria de Estado de Produção Rural), Eron Bezerra, esses recursos são investidos na tentativa de auto-sustentabilidade do Estado.
“Hoje somos auto-suficientes com a produção da farinha de mandioca e no cultivo animal, principalmente em relação ao pescado. Já com o arroz nós somos deficientes, e produzimos menos do que precisamos”, diagnosticou. Eron destacou a importância do cultivo do peixe, já que o rebanho bovino no Estado é pequeno e se concentra em algumas poucas cidades do interior do Amazonas. “O Estado possui 1,4 milhão de cabeças de gado, e dez municípios concentram 90% desse rebanho”, comentou.
Eron destacou que hoje existem 260 mil pessoas trabalhando no campo, e a agricultura familiar é responsável por 94% de tudo que é produzido no Amazonas. Aproximadamente 60% dessa produção é destinada para o município de Manaus, e a outra parte é comercializada e consumida pelo interior do Estado. O secretário lembrou que o Governo Federal destinou para o Amazonas R$ 72 milhões que deverão ser investidos em linhas de crédito para os produtores locais.
Ao comentar o preço da cesta básica da capital amazonense, Eron disse acreditar que os altos valores são causados pelas variações de mercado e pela sazonalidade da safra do Estado. “No período da entressafra, a demanda é maior que a oferta e isso costuma tornar os preços mais altos. Com a safra a produção aumenta, e os preços tendem a diminuir. Essa variação de mercado é comum”, afirmou.

Linhas de crédito

Segundo dados da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), o setor rural foi responsável por 12.946 operações de linhas de créditos liberadas pelo órgão no período de 2003 a 2008. Isso rendeu ao segmento uma significativa fatia dos investimentos, calculada em mais de R$ 98 milhões. Os municípios do interior receberam R$ 90 milhões, enquanto a capital ficou com o restante dos recursos. De acordo com o presidente da Afeam, Pedro Falabella, essa disparidade é consequência do pequeno número de produtores em Manaus.
O secretário de agricultura e abastecimento de Manaus, Fábio Albuquerque, explicou que grande parte do que é produzido na região metropolitana de Manaus vem de municípios próximos, como Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Iranduba. Fábio explicou que o orçamento da secretaria é de R$ 21 milhões, aplicados na organização da venda dos produtos que chegam a Manaus.
Ele defende que os órgãos públicos devem dar as condições de produção aos produtores rurais, mas que não deve haver influência na produção para que a iniciativa provada não se aproveite do Estado. “Temos que focar nossos investimentos onde realmente é necessário sem privilegiar grandes produtores”, afirmou. O secretário contou que essas áreas no entorno de Manaus são especializadas em frutas e legumes.
Para o representante da Assagri (Associação de Agricultura Rural do Ramal do Pau Rosa), Antonivaldo de Souza, os investimentos na produção estão crescendo com a atuação do governo federal, ainda assim é preciso ser feito mais.
“Necessitamos de mais recursos e de treinamento para aplicar melhor o que produzimos. Apenas dessa forma poderemos crescer”, disse Antonivaldo. A associação produz hoje 3 mil toneladas de alimentos por semana, inclusive cheiro verde e cebola.

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