A Polícia Civil do Amazonas montou um esquadrão anti-gatos. Não é para exterminar os gatos de rua da cidade. Aliás, são muitos. Trata-se de combater preventivamente o furto de energia elétrica em Manaus. Há furtos principalmente porque aqui a energia elétrica é muito cara.

O fato é que a concessionária de energia perdeu mais de R$300 milhões com furtos de energia, os famosos “gatos”. Resolveu reforçar a fiscalização, com ajuda da Polícia. Grande parte da população de alguns bairros vai responder criminalmente por furto de energia elétrica. Será?

Há alguns anos, quando a concessionária era pública, houve programa de doação de geladeiras novas para parte da população que usa “gatos”. Geladeiras velhas consumiam o triplo de energia. A concessionária fez grande economia. Todos sabem quem usa “gatos”: o governo, a concessionária e a polícia.

Quando Elizabeth II visitou o Brasil em 1968 a segurança descobriu um “gato” na Embaixada Britânica no Rio de Janeiro. Malandro carioca furtava energia de sua majestade.

No tribunal, Dr. Chaguinhas, colega advogado, lamentava-se porque perdeu um bom partido. O seu melhor partido. Advocacia de partido consiste em prestar assessoria, geralmente à pessoa jurídica, mediante o pagamento de um valor fixo mensal. Teve rescindido o contrato com um banco. Alertou a família da necessidade de apertar o cinto.

Vamos diminuir a conta de energia da casa, decretou. Sendo um sujeito ético e honesto, não pensou em fazer “gato’”. Pediu aos familiares que não usassem ar condicionado durante o dia. Banhos rápidos e de água fria se possível, bem como outras medidas que promovessem a economia de energia.

A diarista também foi solicitada a evitar ligar o ar. Ao chegar a casa, a mulher de Chaguinhas notou que as janelas e portas estavam fechadas bem como as cortinas. E o ar ligado em todos os compartimentos. A casa parecia o polo norte. A diarista, sozinha, limpava a casa e cantarolava alegremente.

A mulher de Chaguinhas conversou com a moça, explicando-lhe novamente que era preciso economizar energia, até mesmo para preservar o seu emprego.

A moça alegou que na casa dela usa o ar condicionado o tempo todo. Porque lá é “gato”. De repente “caiu a ficha”. E comentou:

-Nossa! Esqueci que a senhora paga energia! Desculpe aí patroa!

*Pedro Lindoso é advogado e escritor

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