1 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Da glória ao grito de socorro: o que explica a decadência da Forever 21?

A notícia de que a Forever 21 irá encerrar as atividades no Brasil repercutiu. Quebrada desde 2019, marca
esbarra com a Geração Z e concorrência ainda mais rápida

Há oito anos, a Forever 21 chegava ao Brasil como uma promessa para quem buscava roupas com preços mais acessíveis e modelagens modernas. Ocupando dois andares no Morumbi Shopping, na Zona Sul de São Paulo, em sua loja inaugural a rede de fast fashion da Califórnia, nos Estados Unidos, ganhou favoritismo e proporcionava aos seus consumidores até mesmo certo nível de status. Não estava comprando apenas numa varejista, mas na Forever 21: uma etiqueta gringa, jovem e que, diferente de outras sediadas aqui no Brasil, trazia as tendências do hemisfério norte — algo parecido com o que vemos com a Zara hoje em dia, ou quando um parente viaja para a Europa e traz peças da H&M como presente.

O frenesi era tanto que existia inclusive uma página no Twitter intitulada @filadaforever21, em que usuários compartilhavam fotos das filas enormes que se formavam em frente aos caixas da loja.

No entanto, nada dura para sempre. Nem mesmo uma marca que propõe isso em seu nome. De acordo com informações do jornal Estado de S. Paulo, a rede de fast fashion encerrará suas operações no Brasil. Procurados por Nossa em diversos canais, a Forever 21 não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre a notícia.

Já em troca de mensagens por meio de uma rede social, um dos sócios da empresa no Brasil não confirmou, ou negou, o encerramento: “Informo que saí da empresa em setembro de 2017 e não me sinto à vontade, por questões éticas, de me expressar a respeito”. A notícia sobre o encerramento ganhou impulso depois que diversas filiais no Brasil compartilharam em seus perfis no Instagram uma “superliquidação” de 50% das peças, sem a possibilidade de troca. Em visita feita por Nossa em uma das lojas na capital paulistana, diversas roupas estavam na promoção, embora outras peças estivessem sendo vendidas com o valor original.

No Twitter, a loja do Recife, em Pernambuco, ilustra diversas publicações com o local praticamente vazio: tanto de araras, quanto de consumidores. O possível fim da Forever 21 não é exatamente uma novidade. Antes intitulada Fashion 21, a marca foi criada por Do Won Chang e sua esposa, Jin Sook, em Los Angeles, pouco depois de imigrarem da Coreia do Sul para os Estados Unidos. Assim que criada na década de 1980, o sucesso foi súbito com camisetas vendidas a 5 dólares e vestidos a 10 dólares.

Em 2019, quase 30 anos estabelecida no mercado, a fast fashion passou a encarar problemas financeiros internacionalmente, como reportado pelo “Washington Post” e pelo “The New York Times”. Além das polêmicas — envolvendo acusações de plágio da Gucci, processos por uso ilegal de imagem da cantora Ariana Grande e peças consideradas racistas e de apoio ao nazismo —, um dos motivos pelo grande desinteresse em relação a Forever 21 é o que o mundo da moda não é mais o mesmo de três décadas atrás.

Ao mirar no público jovem, não só a marca californiana como as demais fast fashions encaram um impasse: fazer moda sustentável, ao mesmo tempo em que produzem roupas com velocidade desenfreada. “Eu acredito que a Geração Z é bem mais consciente do que as gerações anteriores, pelas informações que eles têm e nós não tivemos”, opina a consultora de moda sustentável Giovanna Nader em entrevista para Nossa. “Há também a questão da urgência pela questões climáticas, pois são eles quem serão impactados por isso”.

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