11 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Crise será sentida por uma década

As consequências dos níveis críticos das hidrelétricas afetarão os valores das contas de luz

Os reservatórios das usinas hidrelétricas estão baixos e, por isso, as usinas termelétricas em operação deverão ficar ligadas até o final deste ano, de acordo com o diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Hermes Chipp.
Segundo ele, a expectativa é que haja uso “acentuado” das termelétricas nos próximos meses e até o próximo ano. O vice-presidente da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia), Paulo Cesar Tavares, afirma que a situação dos reservatórios é uma das crises que o setor elétrico vive hoje.
“Os níveis críticos nunca antes verificados para o período configuram uma conjuntura de alto risco energético”.
Segundo projeção da ONS, os reservatórios das usinas das regiões Sudeste e Centro-Oeste (a principal fornecedora de energia ao Sistema Interligado Nacional) devem fechar julho em nível de 33% de energia armazenada, chegando a 18,5% em novembro deste ano, caso as previsões meteorológicas se confirmem.
As usinas termelétricas funcionam com combustíveis como gás natural e óleo. Por isso, podem ser ligadas e desligadas de acordo com a necessidade. Mas, além de serem consideradas mais poluentes que as hidrelétricas, têm um custo maior de geração. Ou seja, quanto mais energia produzida por essas usinas, mais cara fica a conta de luz do usuário final.

Crise financeira
A outra crise é econômico-financeira e, segundo Tavares, teve início em 2012 com a medida provisória 579.
“O que vemos hoje é a maior explosão de preços e os caixas das distribuidoras estão quebrados. Se somar todos os subsídios dados em 2013 com os subsídios e custos das distribuidoras em 2014 os gastos chegam a aproximadamente R$ 56 bilhões”. Sendo que cerca de R$ 35,5 bi das distribuidoras vão ser repassados para os consumidores em forma de tarifa e os outros R$ 21 bi serão pagos pelos contribuintes em forma de impostos.
Para o vice-presidente da Abraceel, o transparente seria que todos esses gastos fossem repassados na conta de energia, pois a ação passaria o sinal econômico correto, de que é necessário economizar e promover o uso racional.
“Para ter uma ideia, o PEE [Plano Nacional de Eficiência Energética] é de R$ 400 milhões. Quer dizer, 100 PEEs representam aproximadamente R$ 40 bilhões, ou seja, seria necessário um século e meio de Planos de Eficiência Energética para chegar no valor gasto até agora com a crise. É preciso no mínimo uma década para amortizar tudo”.
O problema afeta diretamente as indústrias que são responsáveis pela geração de emprego e renda, uma vez que o mercado livre não recebeu nenhum tipo de benefício.
“Em termos de preço, estamos vivendo uma situação como se já tivesse um racionamento de energia”.

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